Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira (20) durante uma operação da Polícia Nacional do Paraguai contra um grupo suspeito de usar aplicativos de relacionamento para atrair vítimas, principalmente estrangeiros, para uma emboscada em Cidade do Leste. Batizada de “Falso Match”, a ação cumpriu três mandados de busca no bairro San Rafael e resultou ainda na apreensão de celulares, roupas e porções de maconha. Entre os detidos estão Severiano Flores, Alexis Vicente Saavedra, Guillermina Dolores Moreno Caballero e um adolescente, cuja identidade não foi divulgada.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam principalmente o Grindr para marcar encontros com homens, incluindo brasileiros e europeus que estavam na região de fronteira. Após conquistar a confiança das vítimas e combinar o encontro, o grupo colocava em prática a emboscada: homens armados cercavam os alvos, roubavam seus pertences e, em alguns casos, os mantinham em cativeiro por horas ou até mais de um dia. As vítimas também eram obrigadas a realizar transferências bancárias via Pix e, segundo relatos investigados, até mesmo a contratar empréstimos para atender às exigências dos criminosos.
Um dos casos que ajudou a polícia a avançar na identificação da quadrilha envolve um cidadão francês hospedado em Foz do Iguaçu, no Paraná. Ele teria atravessado a fronteira para encontrar um homem com quem conversava pelo aplicativo, mas acabou cercado por um grupo de oito a dez criminosos e levado para uma área próxima ao Rio Paraná, onde permaneceu por mais de 24 horas. Para ser libertado, foi obrigado a entregar cerca de 7 mil euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 40 mil. Outro brasileiro, que estava na região a trabalho, afirma ter passado mais de 12 horas em cativeiro e perdido cerca de R$ 100 mil após marcar um encontro pelo Grindr.
De acordo com a polícia paraguaia, esse tipo de crime é recorrente especialmente no bairro San Rafael, em Cidade do Leste, e os brasileiros seriam a principal nacionalidade entre as vítimas. O policial Donato Escobar afirmou já ter atendido cerca de 20 ocorrências semelhantes nos últimos anos, sendo aproximadamente 95% delas envolvendo brasileiros. As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema e esclarecer a participação de cada suspeito.











