A comunidade LGBTQIAPN+ do Chile acompanha com preocupação um desdobramento envolvendo a Parada do Orgulho de Santiago, realizada em 2025. O evento, um dos principais atos públicos da população LGBTQIAPN+ no país, acabou sendo alvo de uma multa judicial por causa do barulho provocado durante a manifestação em frente ao Palácio de La Moneda, sede da Presidência chilena. A situação, no entanto, ganhou proporções ainda maiores quando o ativista Gonzalo Velásquez, responsável por assinar a documentação oficial da marcha, passou a correr o risco de ser preso caso a penalidade, equivalente a cerca de R$ 2 mil, não fosse quitada.
A decisão provocou forte reação do Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), organização responsável pela realização da Parada. Em nota, a entidade classificou o episódio como um “fato gravíssimo” e denunciou o que considera uma ameaça direta à liberdade de expressão e ao direito de manifestação das pessoas LGBTQIAPN+ no Chile. “É um fato gravíssimo! É o primeiro que afeta a Parada do Orgulho na história do país e atenta contra a liberdade de expressão das pessoas LGBT”, afirmou a organização. Segundo o movimento, a punição transforma um episódio relacionado à realização do ato em um embate judicial que pode criar um precedente perigoso para futuras mobilizações.
O Movilh também denuncia uma série de problemas na tramitação do processo que, segundo a organização, comprometeram o direito de defesa de Gonzalo. “Nem o Movilh nem nosso representante fomos inicialmente notificados nos domicílios corretos”, explicou a entidade. Quando a comunicação finalmente chegou ao endereço adequado, porém, a situação já havia se agravado: “Já existia uma ordem de prisão para Gonzalo e a polícia circulava próximo à casa dele para prendê-lo”, relatou o movimento. Diante do risco iminente de detenção — e do fato de o ativista ser responsável pelos cuidados de familiares idosos e doentes — a organização decidiu pagar imediatamente a multa para evitar que ele fosse levado para a cadeia.
Mesmo com o pagamento, porém, o caso está longe de ser encerrado. O Movilh afirma que continuará a batalha judicial para tentar anular a penalidade e acusa a Justiça chilena de agir de forma abusiva contra os responsáveis pela manifestação. A entidade também avisou que, caso a perseguição não cesse, poderá denunciar o caso a instâncias internacionais e convocar novas mobilizações de rua. Para o movimento LGBTQIAPN+ chileno, o episódio vai além de uma multa por perturbação sonora: a preocupação agora é que uma punição aplicada a uma Parada do Orgulho possa representar uma tentativa de limitar, por vias judiciais, a ocupação do espaço público e a liberdade de expressão de uma comunidade que historicamente precisou lutar para ter sua existência reconhecida.










