A Brigada Militar do Rio Grande do Sul abriu uma sindicância para apurar a conduta de dois policiais militares que, mesmo estando de folga, abordaram um casal de namorados na Cidade Baixa, em Porto Alegre. O episódio, ocorrido na noite de quarta-feira (28), terminou com um dos homens ferido e é investigado pela Polícia Civil sob suspeita de homofobia. Novas imagens de câmeras de segurança, divulgadas nesta quarta-feira (5), mostram diferentes ângulos da ocorrência e ajudam a esclarecer como a abordagem começou.
As gravações mostram que o casal caminhava pela região quando foi surpreendido por dois homens em motocicletas. Como os agentes não estavam identificados, Nicolas Scherer, de 35 anos, e o namorado teriam acreditado que estavam sendo vítimas de um assalto e correram em direções opostas. As imagens mostram os motociclistas avançando pela calçada na direção de Nicolas, que foi alcançado, derrubado e imobilizado no chão. Segundo a defesa, os policiais só teriam se identificado depois da abordagem, alegando que receberam uma informação sobre um possível roubo de bolsa. Nicolas sofreu uma fratura no dedão do pé, além de escoriações e hematomas pelo corpo, e precisará passar por cirurgia. O namorado não foi agredido, mas acompanhou toda a ação.
Em depoimento à Polícia Civil, Nicolas afirmou ter sido alvo de ofensas relacionadas à sua orientação sexual durante a ocorrência. A investigação também busca esclarecer a participação de duas mulheres que aparecem nas primeiras imagens, especialmente uma delas, que teria apontado na direção do casal antes da chegada dos motociclistas. De acordo com o delegado Vinicius Nahan, a mulher ainda não foi identificada e não aparece como vítima de nenhum crime nas gravações. A polícia pretende ouvi-la para entender o que foi comunicado aos policiais e se houve algum tipo de sinalização que motivou a abordagem.
Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil, a Brigada Militar informou que instaurou uma Sindicância Policial Militar para apurar o episódio na esfera disciplinar. Apesar da abertura do procedimento, os dois agentes envolvidos não foram afastados de suas funções. Nesta quarta-feira (5), cinco pessoas que presenciaram a ocorrência foram ouvidas pela Polícia Civil, entre elas um policial militar que estava em serviço no momento do episódio e moradores da região. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem, a justificativa apresentada pelos agentes e a denúncia de violência motivada por homofobia.







