Viúva de Marielle participa de palestra sobre a criminalização da LGBTfobia em Mesquita (RJ)

Marielle pressente SIM e LGBTfobia é crime SIM!

Monica Benicio, viúva da parlamentar Marielle Franco, assassinada dia 14 de março de 2018, foi a convidada especial da Coordenaria de Diversidade Sexual de Mesquita (Grande Rio) para palestrar e de debater sobre a criminalização da LGBTfobia.

O Fórum “Viver É Melhor que Sonhar”, que aconteceu na quarta-feira (26/06) inaugurou as comemorações do município pelo Dia Internacional do Orgulho LGBT+, que também homenageou Marielle. “Essa é uma luta coletiva. Marielle era uma exímia defensora dos direitos humanos, que não fazia distinção de vidas, porque todas são importantes. A gente precisa entender que houve anos e anos de omissão no planejamento de políticas públicas voltadas para a população LGBT. Então, temos de reconhecer as muitas “Marielles” que existem por aí, só que em vida”, desabafou Monica, que é arquiteta e ativista de direitos humanos.

A Coordenadora de Diversidade Sexual de Mesquita, Paulinha Única deu um depoimento emocionado sobre um fato triste de seu passado. Na adolescência, antes de iniciar sua transição de gênero, ela foi espancada por 14 rapazes na saída do Tênis Clube de Mesquita, no Centro da cidade. “Me assumi há 38 anos, quando eu estava com 15 anos, ou seja, uma época em que isso era o fim do mundo para uma família. Apanhei porque, supostamente, escolhi essa vida. Infelizmente, ainda existem pessoas que não entendem que eu nasci assim”, lamentou Paulinha, que é uma mulher trans e estava acompanhada do pai Armando de Oliveira, de 89 anos.

O fórum contou com também com a participação do delegado Gilbert Stivanello, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), inaugurada em dezembro de 2018 e também da juíza titular da Vara Criminal de Mesquita, Cristiana Cordeiro, que questionou o público a respeito da motivação do assassinato de Marielle Franco. “Se ela fosse um homem, heterossexual e branco, teria sido assassinada?”, indagou. “Talvez até fosse, mas não sei se, mesmo depois de 469 dias, o crime estaria sem resolução”, criticou Monica.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e o mais novo colaborador para conteúdos sobre diversidade LGBTQIA+ para o portal Pheeno.com.br