Enme lança música e clipe representando o ragga maranhense

Vai ter poc no reggae SIM!

Enme lança seu novo hit “Killa” representando as pocs maranhenses no reggae.

Com 25 anos, o maranhense Enme Paixão lançou nessa quinta-feira, dia 29/08, seu novo single, acompanhado do clipe, “Killa”, que faz parte do seu primeiro EP, “Pandú”, lançado esse ano.

A ação pegou seus fãs de surpresa, já que Enme e a Clockwork Filmes, em parceria com a Sotaque Produções, mantiveram segredo sobre a produção do vídeo, justamente pra pegar todxs de surpresa com o impacto do rebolado maranhense “quando o ragga tocar”. Com direção de Jessica Lauane, o clipe tem muita coreô, sensualidade e swing.

E se tem lançamento, tem exclusiva pro Pheeno também. Então confiram como foi o nosso papo com o multiartista Enme:

Quais são suas origens e quem é Enme hoje em dia?
“Eu sou Enme Paixão, 25 anos, nascido no Maranhão, onde moro atualmente. Sou um menino cis gay que usa da arte drag como ferramenta de reflexão. Comecei a trabalhar com música em 2014, enquanto produtor de evento, produtor cultural, mas lancei meu primeiro trabalho musical só em 2017.”

Como surgiu seu personagem?
“Eu sempre soube que eu tinha algo de especial para fazer no mundo. Minha drag surgiu por conta da minha paixão pelo universo feminino. Pelas divas do hip-hop e principalmente pela minha mãe, que eu admiro bastante.”

Atualmente, você pode dizer que vive da sua arte?
“Sim! E tenho trabalhado bastante para que as pessoas consigam enxergar na qualidade do meu material, que o cenário LGBT precisa ser remunerado como qualquer outro. Estou em turnê divulgando meu EP, gerindo minha própria carreira. Cuidando da empresa Enme e é disso que quero viver.”

Esse é seu 1º EP?
“Pandú é o meu primeiro EP. Quando eu apresentei a proposta para o Selo Sotaque, eles adoraram de cara. Eu sempre fui uma artista com muita coisa a dizer, não é a toa que a capa do meu EP carrega tantas referências. Minha terra, minha ancestralidade, a nossa cultura. Tudo! Fiquei feliz quando foi publicada na Vogue Itália. É um trabalho muito lindo, desenvolvido com uma equipe muito talentosa que resultou em 90 mil streams de cara só no Spotify.”

Quais inspirações para o “Pandú”?
“A sonoridade nordestina, a qualidade e excelência dos trabalhos da Beyoncé. Tudo o que ela faz é impactante e revolucionário. Esse é o tipo de artista que eu quero ser.”

Quais inspirações e influencias pro clipe de “Killa”?
“Nesse clipe eu queria trazer as influências do dancehall, dos clipes africanos, mas eu queria mais uma vez homenagear o meu Maranhão. A música é um ‘ragga’, um ritmo derivado do reggae e aqui é a terra do reggae. Então a direção de arte topou aplicar isso nas cores. Tem muito de Rihanna, M.I.A, Major Lazer, Spice nesse clipe.”

Como foi a concepção do vídeo?
“Eu e Jess já trabalhamos juntos no meu webclipe de “Sarrar”. Nossa cabeça funciona junta. Eu tinha a ideia pronta, mas ela organizou e tornou isso visual junto comigo. Na verdade o grande sucesso desse clipe foi poder aproveitar o set, viver, se divertir, querer estar ali não só pra gravar, mas porque o momento estava gostoso. A equipe inteira se divertiu no processo, então isso que importa pra mim.”

O clipe ilustra bem a música?
“O clipe de “Killa” é um daqueles vídeos que eu sempre assistia e dizia “nossa eu queria viver nesse clipe”. Eu olho pra ele e tenho a certeza que é o trabalho que eu sempre sonhei fazer. Eu jurava que eu seria produtor de videoclipes, eu me formei em publicidade justamente pra trabalhar com entretenimento como forma de comunicação, de transformação. É por isso que eu vejo em “Killa” tudo o que eu preciso dizer sem falar uma palavra.”

A fama já chegou pra Enme?
“Acho que é cedo pra falar de fama. Tudo o que eu faço é baseado em trabalho. Eu quero trabalhar muito e trabalhar com qualidade, com respeito. O reconhecimento pelo trabalho eu quero, fama apenas pra falarem de mim não. Se um dia eu me tornar famosa eu serei eternamente grata, mas minha preocupação nesse momento é poder inspirar, mudar e criar em várias LGBTs pretas a sensação de que a gente tem vez e voz pra fazer o que quiser.”

Até onde a fama te levou?
“Com o meu trabalho e a influência que ele trouxe, eu pude levar mais de 100 jovens da periferia para assistir o filme Pantera Negra em uma sessão gratuita, com tudo garantido. Isso dentro de um shopping center. Meu irmão mais novo entendeu mais sobre representatividade e muita gente nunca tinha ido ao cinema. São essas transformações que eu venho buscando. Espero poder fazer mais.”

Qual seu próximo passo?
“Rodar o Brasil divulgando meu EP. Alô produtores, meu email tá aberto para contratos.”

Quem é Enme, por Enme?
“Uma poc que aprendeu a maneira certa de lutar pelos seus ideais.”

Pra fechar com aquele close, deixa pra gente um recado pra todxs xs pocs que, assim como você, sonham em seguir seu sonho e viver da sua própria arte?
“Se uma pode. Todas podem!”

Depois desse hinário de respostas eu só vou é decorar a coreô de Killa e cruzar os dedos pros produtores do Brasil fazerem essa poc maranhense nosso pais todinho!

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos, designer gráfico, editor de vídeos, dono de concursos drag e o mais novo colaborador para conteúdos sobre diversidade LGBTQIA+ para o portal Pheeno.com.br