Juiz para partida após gritos homofóbicos e Vasco pode ser punido

O Vasco da Gama conquistou uma vitória importantíssima neste domingo (25/08), superando o São Paulo por 2 a 0 em São Januário, contudo, pode ter de responder à Justiça por conta de gritos homofóbicos vindos das arquibancadas relatados na súmula da partida pelo árbitro Anderson Daronco.

Durante o jogo, o árbitro Anderson Daronco precisou paralisar o jogo após ouvir gritos como “time viado”, vindos da torcida do Vasco. A partida só retornou após uma conversa com o técnico Vanderlei Luxemburgo e depois que o locutor do estádio solicitou que palavras de ódio não fossem proferidas pela torcida. “Relato que aos 17 minutos do segundo tempo houve um canto vindo da arquibancada da torcida do Vasco em que dizia: ‘time de viado’. Aos 19 minutos do segundo tempo, a partida foi paralisada para informar ao delegado do jogo e aos capitães de ambas as equipes a necessidade de não acontecer novamente”, disse o juiz.

Agora, a CBF pode punir o Vasco da Gama por conta do ocorrido, atendendo à exigência da Fifa de tolerância zero com ofensas de cunho sexual. O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) prevê a punição no artigo 243-G do Código Disciplinar. “Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

A diretoria do Vasco emitiu nota repudiando os gritos homofóbicos vindos da arquibancada. No comunicado, o clube pediu desculpa aos que se sentiram ofendidos com os cantos e lamentou o episódio.

Confira

Em relação ao episódio registrado na partida deste domingo (25/08) contra o São Paulo, o Club de Regatas Vasco da Gama lamenta e repudia qualquer canto ou manifestação de caráter homofóbico por parte de alguns de seus torcedores. Da mesma forma, a Diretoria Administrativa do Clube manifesta seu pedido de desculpas a todos que, corretamente, se sentiram ofendidos por este comportamento.

O combate a este tipo de postura – iniciado ainda em campo, quando o técnico Vanderlei Luxemburgo, os jogadores, parte da torcida e o próprio Vasco da Gama, através do sistema de som do estádio, clamaram para que os gritos cessassem – não deve ser motivado pelo receio de punição desportiva (perda de pontos), mas, sim, por uma questão de cidadania e respeito ao próximo e cumprimento da lei. Preconceito é crime. E se existe um Clube no Brasil historicamente habituado a levantar a voz contra qualquer tipo de discriminação este é o Vasco da Gama, dono da história mais bonita do futebol. Assim foi com a resposta histórica de 1924; assim é com os cantos que o torcedor vascaíno entoa orgulhosamente na arquibancada enaltecendo a luta do Clube a favor de negros e operários.

A plateia de um estádio de futebol e a sociedade de maneira geral passam por um processo de aprendizado e conscientização necessário para que atos de preconceito fiquem no passado – um triste passado, diga-se. A Diretoria Administrativa do Club de Regatas Vasco da Gama compromete-se em promover ações educativas neste sentido junto ao seu torcedor, certa de que encontrará em cada vascaíno um aliado no combate a qualquer tipo de discriminação. O Vasco é a casa de todos.

Diretoria Administrativa

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 22 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!