Viradouro ganha carnaval 2020, liderada por casal gay de carnavalescos, com enredo feminista

Talento não depende de orientação sexual!

Embora este não seja o primeiro ano no qual a maior festa do mundo é afetada negativamente pelos poderes Municipais e Estaduais, sem dúvidas, 2020 foi um ano onde o carnaval carioca sofreu severos cortes, em todas as esferas, através das autoridades locais.

O reflexo de tanta indignação surgiu na Av. Marquês de Sapucaí, a famosa passarela do samba carioca, através do enredo de diversas escolas de samba do grupo especial e de acesso, que demonstravam nitidamente a insatisfação do cidadão carioca e dos cidadãos brasileiros como um todo, para com os nossos governantes.

Se o assunto envolve a comunidade LGBTQ+, a censura se torna ainda mais gritante, visto o que aconteceu com a grande maioria dos blocos cariocas direcionados a esse publico, que foram vetados neste carnaval. Porém, não ironicamente, mas sim por muita competência, a grande campeã do desfile de escolas de samba do grupo especial carioca de 2020, a Viradouro, teve um casal assumidamente gay à sua frente, Tarcisio Zanon e Marcus Ferreira.

Juntos há quatro anos, o casal se conheceu quando ambos trabalhavam como carnavalescos de escolas do grupo de acesso do Rio, porém nunca tiveram a oportunidade de trabalharem juntos, nem tampouco no grupo especial. Em 2019 Zanon foi campeão da Série A com a escola de samba Estácio de Sá. Hoje o casal comemora juntos, o título que trouxeram pra escola que acreditou no seu potencial.

Em entrevista ao Jornal Extra, o casal dividiu com o grande público um pouco de sua história, “Nos grupos de baixo, a gente pede sempre material para um carnavalesco de uma outra agremiação. E nestes pedidos fomos nos aproximando”, contou Marcus. “A gente diverge, briga em alguns momentos, mas acho mais fácil dividir as funções com uma pessoa que você conhece bastante”, disse Tarcisio.

Após 23 anos sem levar o título, a escola de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro conquistou o lugar mais alto no campeonato, com um enredo que tem como foco o feminismo, em especial a força da mulher negra, ‘Viradouro de Alma Lavada’, homenageando As Ganhadeiras de Itapuã, que uma história viva que começou no século XIX, quando escravas faziam trabalhos braçais remunerados, como lavar roupa à beira da Lagoa do Abaeté, a fim de conseguir juntar dinheiro para conseguir alforriar outros escravos, principalmente mulheres.

Tarcisio e Marcus entram pra história deste país como o primeiro casal assumidamente gay de carnavalescos a ganhar o título mais almejado do carnaval, um casal que outrora trabalhava de forma individual, competindo em escolas do grupo de acesso e que tiveram oportunidades negadas mesmo sendo campeões e conseguindo elevar outras escolas para o tão aclamado grupo especial. Esse foi um desfile que, sem dúvidas, mostrou que a luta das mulheres continua e contornará sempre, assim como a luta dos LGBTs.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto