Em Noronha, mãe e filha são confundidas com lésbicas após foto juntas e têm carro vandalizado

Heterossexuais, mãe e filha foram alvo de homofobia na Praia do Sueste, em Fernando de Noronha, na última sexta-feira (11/12). Ao G1, a administradora catarinense Karina Ramos conta que após tirar uma foto abraçada com a mãe, ela relatou ter sido abordada por um funcionário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que teria recebido uma queixa “por conta do ato entre as duas mulheres”.

Ele não foi grosseiro, mas chegou perguntando ‘vocês conhecem as regras do Parque?’ e achamos que podíamos ter feito algo de errado, nadado em alguma área imprópria. Daí ele falou: ‘é porque eu recebi uma queixa de um pessoal ali de cima por conta do ato entre as duas mulheres’. Ninguém entendeu”, contou Karina, que estava acompanhada do marido, da mãe e do padrasto quando o fiscal se aproximou da família.

Minha mãe falou ‘só pode ser a hora que fui tirar uma foto contigo, filha’. Depois, ela disse a ele que não tinha ato nenhum, que éramos mãe e filha. Ele tentou despistar o assunto, falou que era para a gente esquecer que aquilo tinha acontecido. Eu perguntei se teria problema se realmente fôssemos um casal e ele disse que não era para se preocupar, porque não era o caso”, afirmou a administradora. “Eu já me dei conta na hora que era por conta de algo preconceituoso, homofóbico. A gente estava viajando há seis dias, cada uma com seu marido, e não tinha acontecido nenhum problema. Quando dissemos que éramos mãe e filha, eu vi que ele [fiscal] ficou todo sem jeito”, completou.

Na saída do local, a família ainda se deparou com um ato de vandalismo: o vidro dianteiro do buggy que estavam utilizando havia sido quebrado. “Fomos para a delegacia de Noronha, porque o pessoal começou a dizer para a gente ir, porque soubemos que o local tinha câmeras e queríamos ver o que tinha acontecido. Quando chegamos lá, não houve nenhum grande interesse sobre isso. Por duas vezes, o funcionário da delegacia disse que o BO não iria nos isentar de pagar o prejuízo do veículo”, afirmou ela, que registrou o ocorrido pela internet, por indicação de funcionários da pousada em que a família se hospedou.

Por meio de nota enviada ao G1, a Polícia Civil informou que “os fatos relacionados ao caso serão apurados”. “A sensação que a gente ficou foi a de medo, quando a gente viu o buggy quebrado. E se só estivéssemos eu e minha mãe, como já fomos outras vezes? Talvez eu passe só umas duas vezes por essa situação na vida, mas e se nós fôssemos um casal, qual seria o problema? Pessoas gays não podem ir a Noronha?”, questionou Karina.

Por meio de nota, a EcoNoronha, concessionária responsável por prover serviços de infraestrutura, alimentação, recepção de público e conscientização ambiental no Parque Nacional Marinho, disse ter entrado em contato com Karina “como forma de se solidarizar e demonstrar acolhimento, repudiando toda e qualquer forma de discriminação que a família possa ter sofrido“. A empresa também afirmou ter fornecido as imagens disponíveis ao ICMBio.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!