Polícia Civil do DF abre inquérito para investigar PM suspeito de homofobia contra colega de farda

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu, no dia 10 de janeiro, um novo inquérito para investigar um crime de homofobia por parte do sargento da Polícia Militar Astrogilson Alves de Freitas cometido contra o soldado Henrique Harrison da Costa. O militar é suspeito de ofender e ameaçar o colega de corporação, que publicou uma foto beijando o então namorado, ao lado de duas colegas lésbicas, durante formatura.

Freitas já havia sido condenado em primeira instância a pagar R$ 5 mil de indenização a Henrique, também por ofensas e declarações homofóbicas. Agora, a Polícia Civil vai investigar se houve crime no teor do áudio encaminhado em um grupo de policiais militares no WhatsApp. “Numa guarnição minha, um cara desse não entra”, diz o áudio atribuído ao PM Astrogilson. “Se entrar, já ouviu falar em fogo amigo? Vocês conhecem o fogo amigo, né? Fogo amigo não é só atirar nos outros não”, continuou. “Nós todos já fomos sancionados durante a carreira aí, quase 30 anos [de carreira] e tu sabe que tem isso mesmo (sic), entendeu? A gente pode até ficar calado, mas tem outro jeito de sancionar esse tipo de situação”, disse. “Dois v14d1nhos entra (sic) na polícia para ficar beijando? Para fazer sucesso no jornal? P0rr4 nenhuma, mermão”, continua ele, sugerindo que Harrison daqui uns dias está de calcinha dentro da viatura”.

Em vídeo divulgado no Instagram, Henrique disse que, com a repercussão do caso, passou a viver com medo. “A gente sabe que o deputado Hermeto é uma das figuras mais influentes da polícia militar do Distrito Federal. Isso por ‘debaixo dos panos’, mas isso me deixa com muito medo. Fere constantemente o princípio da impessoalidade, pois ele está em todas as formaturas falando em nome próprio para poder conseguir votos. A gente fica ‘em pé’ na formatura vendo ele se promover, falando de seu nome e a corporação não deveria deixar isso acontecer, mas faz devido a influência forte dele. Isso afeta diretamente o meu trabalho”, desabafou.

Os investigadores oficiaram a Corregedoria da Polícia Militar, além de intimarem o sargento Freitas para que ele preste depoimento. A investigação é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). Em nota, a Polícia Militar informou que “acompanhará o inquérito“.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!