Agente penitenciário registra boletim de ocorrência por homofobia de colegas no RS: “Não me atinge, mas não aceito”

Agente penitenciário na Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo do Rio Grande do Sul (SJSPS), o servidor Mateus Schwartz dos Anjos registrou boletim de ocorrência depois de ter sido vítima de ataques homofóbicos e difamação em grupos de WhatsApp dos próprios colegas de trabalho.

Segundo Schwartz, as ofensas teriam começado em 2019, depois que ele compartilhou fotos ao lado do noivo nas redes sociais. No entanto, o assessor de relações institucionais apenas conseguiu obter provas em janeiro. Ele registrou um boletim de ocorrência no dia quatro de fevereiro, denunciando o que chama de “campanha de difamação com raiz homofóbica vinda dos próprios colegas“. “Se eu não estivesse muito bem resolvido com essa questão, não teria postado no meu Instagram. É algo que não me atinge, mas que eu não aceito. Minha sexualidade não é tabu para mim ou para minha família, mas para muitas outras famílias ainda é. Então, resolvi denunciar, para que sirva de exemplo e para que os meus colegas repensem a conduta deles como servidores públicos”, disse Schwartz ao G1.

As fotos — em sua maioria do servidor na praia ou ao lado do noivo — normalmente aparecem nas capturas de tela com o destaque “encaminhada com frequência“. Como o número de telefone de quem compartilhou também é visível, os registros podem servir para descobrir os responsáveis pelos ataques. “Agora, vamos partir para a identificação dessas pessoas“, garante a delegada Cris Ramos, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso e responsável pela Delegacia de Combate à Intolerância. Segundo ela, uma investigação foi instaurada na última quarta (09/02).

Schwartz afirma que recebeu apoio do secretário Mauro Hauschild, titular da SJSPS, que o incentivou a levar as denúncias adiante. Em nota, a Secretaria diz que “qualquer servidor que denunciar algum tipo de preconceito sofrido receberá todo o apoio“. “O que fez eu tomar a atitude de denunciar é que não vi nenhum comentário a respeito do meu trabalho. Ninguém fala que eu não chego no horário ou que não trabalho direito. São comentários ofensivos e homofóbicos com fotos minhas e do meu noivo“, desabafa.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!