Casal gay acusa PM reformado de homofobia em Belo Horizonte: “Se eu não reagisse, ele ia nos matar”

Um casal gay denunciou um policial militar reformado por crime de homofobia ocorrido neste domingo (13/02), em Belo Horizonte. Um deles alega que foi vítima de uma tentativa de assassinato ao ser agredido com uma barra de ferro.

Em conversa com o G1, o estudante universitário Matheus Felipe Chagas, conta que estava ajudando o namorado a vender os móveis do apartamento dele, quando um vizinho começou a ameaçá-los. “Chamava a gente de ‘viadinh*’, de ‘bichinh*’ e que gente como nós não merecia viver”, disse Matheus. Segundo ele, o vizinho, que é policial militar reformado, já ameaçava o casal havia quase uma ano. No dia 22 de janeiro, Matheus o enfrentou depois de ter sido provocado. O namorado dele, João Augusto, chamou a polícia e o ex-militar teria voltado para a casa. Após registrarem boletim de ocorrência, o casal decidiu sair do apartamento.

No entanto, neste domingo, ao retornarem para lidar com os móveis que ficaram, houve uma nova discussão. “A gente estava conversando dentro de casa quando este vizinho nos chamou de ‘desgraçados’ e disse que nos mataria. Eu saí e comecei a discutir com ele. Nisso, João gritou dizendo que chamou a polícia e aí esse vizinho foi para casa e voltou com uma barra de ferro. Eu consegui me desvencilhar, mas machuquei o queixo. Em seguida, eu tomei a barra, até machuquei a mão, e bati nele. Se eu não tivesse reagido, eu estaria morto”, conta Matheus.

Na delegacia, de acordo com o estudante, o crime seria registrado como uma discussão entre vizinhos. Mas o advogado de Matheus recusou, alegando que foi homofobia. Nesta segunda-feira (14/02), ele prestou depoimento na Delegacia Especializada em Repressão aos crimes de Racismo, Xenofobia, Homofobia e Intolerâncias Correlatas. “Acho que a gente precisa expor situações como essas. Nós fomos agredidos porque somos um casal. Ele poderia ter nos matado”, desabafou. O suspeito, que não teve o nome divulgado, foi ouvido na delegacia e liberado, segundo a polícia.

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