Navio das gays: a festa da H&H fez cair a máscara dos moralistas (que não foram à festa)

Não se falou em outra coisa no fim de semana, se não no tal “navio das gays” e nos spoilers da badalada festa H&H, voltada para o público gay, que rolou em um navio de cruzeiro. De quinta domingo passado, o festival que teve saída e retorno no Porto de Santos (SP) reuniu milhares de homens gays em busca de diversão, que inclui atrações, música, piscina, bebida, balada e sim, sexo. MUITO SEXO.

No Twitter, onde a fasta ganhou o famigerado apelido, os vídeos feitos pelos presentes no navio mostravam, principalmente, cenas de sexo explícito em decks, corredores, banheiros e cabines. Rolou muito vídeo de esquemas de entrada de drogas – o “Gi” dentro do pote de creme de cabelo – e obviamente, fofocas de pessoas famosas, supostamente héteros, curtindo as surubas nas cabines.

O fato é que a cada vídeo ou notícia vinda de dentro do evento gerava uma enxurrada de comentários acerca do “comportamento” dos gays no evento. Falas moralistas que deslegitimam a autonomia de qualquer homem adulto sobre seu corpo. Centenas de internautas questionando sobre o uso de camisinha, drogas e sexo com várias pessoas em uma festa, tecnicamente, feita para isso.

“Vai faltar exame de IST nos postos semana que vem”, “pagou em 12 vezes um fim de semana pra dar pra todo mundo”, “evento patrocinado por passivas, tem que ter boy pago lá dentro”, “as colocadas vão passar 4 dias de p* mole e acordar com o cartão estourado”, “deus me livre de ficar com um cara que vai num local desse”, “o público se divide em dois: padrão rico e maloca dotado”, “vão despejar a chuca desse pessoal no mar?” foram alguns dos comentários que eu li nos fios.

E de onde vem esses comentários? DE GAYS. Ponto. Poderia terminar aqui esse artigo. Mas é que a homofobia estrutural está empatando a fod** de quem é dono da sua própria vida e a gente não pode fechar os olhos pra isso. Falta diálogo sobre a reprodução de comportamento heterocisnormativo em nossas atividades sociais e de como isso é nocivo para quem já nasce sob o olhar do estigma. Falta noção pra gay que acha que transar na festa é promiscuidade. Aliás, qual o problema em ser promíscuo? Hum?

A festa feita para adultos, já conhecido apelo público que a frequenta, todos os anos ganha trends de factoides: ator global hetero, ator pornô vendendo mamada, marinheiro na suíte, 50 boys detidos, objetos do navio quebrados, enfim, nada disso é mais estranho que policiar a conduta de gente que está gastando seu próprio dinheiro pra ser feliz. Porque essa é uma obrigação nossa, tá? Ser feliz.

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