Home Destaque Pelo menos 30 pessoas foram presas na China por escreverem ficção erótica...

Pelo menos 30 pessoas foram presas na China por escreverem ficção erótica gay

23

As autoridades chinesas prenderam pelo menos 30 pessoas — em sua maioria mulheres jovens na casa dos 20 anos — por escreverem e publicarem ficção erótica gay, gênero conhecido como danmei. Segundo o portal Pink News, os detidos estão sendo enquadrados nas severas leis de pornografia da China, que preveem penas superiores a 10 anos de prisão para quem for considerado culpado de “produzir e distribuir material obsceno” com fins lucrativos.

As prisões remontam a fevereiro deste ano e estão ligadas a publicações feitas na plataforma taiwanesa Haitang Literature City. Inspirado nos mangás japoneses Boys’ Love, o danmei se popularizou entre jovens mulheres chinesas como uma forma de explorar relações homoafetivas masculinas fora das rígidas normas de gênero impostas pela sociedade local. Apesar disso, a repressão do Estado chinês está sufocando esse espaço de expressão criativa, com perfis de escritoras sendo deletados e qualquer debate sobre o assunto rapidamente censurado nas redes sociais.

Mesmo diante da repressão, a ação do governo gerou indignação online e mobilizou advogados dispostos a oferecer apoio jurídico às autoras presas. No entanto, com o controle cada vez mais rígido do regime sobre plataformas digitais, essas iniciativas enfrentam dificuldades para ganhar tração e alcançar o público afetado. A censura tem avançado em ritmo acelerado, silenciando até mesmo tentativas de solidariedade.

Embora a homossexualidade tenha sido descriminalizada na China em 1997 e removida da lista de transtornos mentais apenas em 2001, ainda há um vácuo legal profundo em relação à proteção de pessoas LGBTQIAPN+. O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido, e não existem leis que garantam direitos básicos ou protejam contra discriminação. O fechamento de um dos principais grupos de defesa LGBTQ+ do país em 2021 e a censura de conteúdo queer em séries como Friends, em 2022, mostram que a perseguição à comunidade LGBTQ+ chinesa segue firme — agora com novos alvos: escritoras de ficção.