Um caso de homofobia dentro de um ônibus no Rio de Janeiro terminou em denúncia formal à polícia e mobilização de testemunhas. O professor de yoga Marcus Alexandria relatou ter sido alvo de ofensas e ameaças enquanto se deslocava do Centro em direção à Zona Sul, na última sexta-feira (17), a bordo da linha 125 (atual Troncal 1). O episódio começou na Avenida Rio Branco e se estendeu até a altura de Botafogo, causando tensão entre passageiros e deixando o professor emocionalmente abalado. Após o ocorrido, ele procurou a 5ª Delegacia de Polícia, na região central do Rio, onde registrou um boletim de ocorrência contra o agressor.
Segundo Marcus, tudo teve início quando ele percebeu que o único assento disponível era ao lado de um homem que ocupava mais espaço do que o normal. Mesmo diante de uma tentativa clara de intimidação, ele decidiu se sentar. “Ele começou a olhar para mim e falar que não gosta de homem, dizendo que não era para eu ficar encostando nele, mandando eu ir roçar em poste, que ele gosta de mulher”, contou. O professor afirmou que tentou explicar que, por se tratar de transporte público, havia um limite de espaço entre os assentos, mas o homem passou a reagir com ainda mais hostilidade.
A situação escalou rapidamente, com o agressor passando a proferir xingamentos e acusações. “Ele começou a me xingar, dizendo que eu estava me encostando nele, que eu estava querendo alguma coisa com ele”, relatou Marcus. Diante das agressões, ele reagiu chamando o homem de homofóbico, o que gerou uma discussão ainda mais acalorada dentro do coletivo. Outros passageiros perceberam o que estava acontecendo, prestaram apoio e chegaram a pedir que o motorista parasse o ônibus ou procurasse uma viatura policial. “O motorista ficou calado do início ao fim, não fez nada”, disse o professor, destacando a omissão durante todo o trajeto.
O episódio teve um desdobramento ainda mais grave quando o agressor desceu na região de Botafogo e passou a ameaçar Marcus do lado de fora do ônibus. “Ele me chamou para descer e, quando ameacei ir, pegou um pedregulhão gigante”, contou. O professor preferiu não sair do coletivo diante do risco de agressão física. Abalado, ele afirmou que não conseguiu seguir com seus compromissos naquele dia e buscou acolhimento após o ocorrido. Uma passageira registrou parte da discussão em vídeo e se colocou à disposição como testemunha. Com o caso já registrado na 5ª DP, Marcus também procurou o programa Rio Sem LGBTfobia e agora avalia medidas judiciais contra o agressor e a empresa de ônibus, citando a falta de intervenção diante da violência.
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