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Acusado de homofobia contra casal de mulheres em mercado de BH some há quase um ano e pode escapar de processo cível

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O caso de homofobia envolvendo o acusado Paulo Henrique Mariano Cordeiro, que atacou um casal de mulheres em um supermercado no bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte, pode ter um desfecho frustrante para as vítimas na esfera cível. Quase um ano após o episódio, ocorrido em 8 de junho de 2025, o réu ainda não foi localizado pela Justiça, o que pode levar ao encerramento do processo. A dificuldade em encontrá-lo acabou criando um impasse jurídico que agora coloca sobre as vítimas a responsabilidade de indicar um novo endereço para que a ação tenha continuidade.

Diante da situação, a defesa de Gabriela Thais Santos Borges e Gabriela Lopes Fernandes solicitou que o acusado fosse citado por edital, mecanismo utilizado quando o paradeiro da pessoa é desconhecido. No entanto, o pedido foi negado pela juíza responsável pelo caso, sob a justificativa de que a Lei dos Juizados Especiais não permite esse tipo de procedimento nessa circunstância. Com isso, a defesa recebeu um prazo de cinco dias para decidir se desiste da ação ou se apresenta um “endereço correto e atualizado” do réu.

A decisão gerou indignação entre as vítimas. Em entrevista ao portal Voz da Diversidade, Gabriela Lopes criticou duramente o posicionamento da Justiça: “É um descaso absurdo do Judiciário de Minas Gerais. Uma juíza mulher indeferiu uma citação por edital na esfera cível e isso é muito triste”. Ela também destacou a dificuldade enfrentada ao longo do processo: “No momento, essa é a única saída para colocá-lo como foragido, porque faz um ano que ele está sendo procurado para comparecer e não é encontrado”. Em outro trecho, reforçou a revolta com a situação: “Não faz sentido isso caber a nós [encontrar o endereço dele], que fomos vítimas de homofobia”.

Enquanto isso, o processo criminal segue em paralelo, mas também enfrenta entraves. O acusado apresentou um atestado de insanidade mental, aceito pela Justiça, e agora o andamento depende da nomeação de um perito do Estado. A morosidade tem ampliado o desgaste emocional das vítimas, como relatou Gabriela: “Hoje ficamos frustradas com essa decisão no cível, enquanto o criminal está parado porque aguardamos o perito”. Ela ainda resumiu o impacto da situação: “É um desgaste gigantesco passar por tudo isso”.