A exclusão de pessoas LGBTQIAPN+ do mercado de trabalho brasileiro não é só uma violação de direitos — é também um rombo bilionário na economia. Estudo inédito do Governo Federal em parceria com o Banco Mundial aponta que o país deixa de movimentar cerca de R$ 94,4 bilhões por ano por conta da discriminação enfrentada por essa população, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O dado reforça que o problema não é pontual, mas resultado de uma engrenagem estrutural que limita o acesso, a permanência e o crescimento profissional de milhões de pessoas.
Na prática, essa exclusão aparece em números alarmantes. A taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIAPN+ chega a 15,2%, quase o dobro da média nacional, enquanto a inatividade — quando a pessoa sequer busca trabalho — atinge 37,4%. Além disso, o estudo mostra que esse grupo também enfrenta maior presença na informalidade (46%, contra 40% da população geral) e menor taxa de emprego. Mesmo quando inseridas no mercado, essas pessoas ainda lidam com subaproveitamento profissional e renda relativa inferior, evidenciando barreiras que vão muito além da contratação.
O impacto econômico também se distribui de forma desigual dentro da própria comunidade. Mulheres LGBTQIAPN+ concentram a maior fatia das perdas, com prejuízo anual estimado em R$ 54,3 bilhões, frente a R$ 40,1 bilhões entre homens. Só o desemprego responde por R$ 27,9 bilhões dessas perdas entre mulheres, enquanto a inatividade soma mais R$ 15,6 bilhões. Já entre os homens, o desemprego gera impacto de R$ 17,6 bilhões. Os dados escancaram como gênero agrava ainda mais os efeitos da exclusão econômica.
Quando se cruzam fatores como raça e identidade de gênero, o cenário se torna ainda mais crítico. Pessoas LGBTQIAPN+ pretas e pardas enfrentam os piores indicadores em praticamente todos os recortes analisados. Entre mulheres negras, as taxas de desemprego e inatividade disparam, refletindo um ciclo de exclusão persistente. Já pessoas trans, não binárias e intersexo aparecem entre as mais vulneráveis, com níveis elevados de desemprego e relatos frequentes de discriminação no ambiente de trabalho. Em muitos casos, a exclusão começa antes mesmo da vida profissional, com evasão escolar causada por violência e falta de acolhimento, o que ajuda a perpetuar desigualdades ao longo de toda a vida.










