O universo da pornografia online, um dos segmentos mais consumidos da internet, ainda opera sob camadas de anonimato e pouca transparência sobre seus bastidores. Nesse cenário, uma figura inusitada vem ganhando destaque: Solomon Friedman, rabino, advogado criminalista e atual porta-voz da Aylo, conglomerado responsável por plataformas como Pornhub e Brazzers. A empresa foi adquirida em 2023 pela Ethical Capital Partners, onde Friedman atua como vice-presidente de Compliance e uma das principais vozes públicas da companhia.
Sob sua gestão, o Pornhub segue como um gigante absoluto do tráfego global. Só em março deste ano, o site registrou cerca de 4,2 bilhões de acessos, superando plataformas populares como X, LinkedIn e TikTok. Com uma média mensal entre 3,5 e 4 bilhões de visitas e mais de 115 milhões de usuários únicos por dia, o portal acumula números impressionantes, incluindo um catálogo com cerca de 13 milhões de vídeos e milhares de novos uploads diários. A maior parte desse consumo acontece via dispositivos móveis, refletindo mudanças no comportamento digital contemporâneo.
Em entrevista ao jornal britânico The Times, Friedman defendeu a atuação da empresa diante das críticas frequentes ao conteúdo adulto. “Você está falando de uma indústria que é impulsionada, tanto na criação quanto no consumo, pelo instinto biológico mais significativo”, afirmou, ao comentar questões éticas envolvendo o tipo de material hospedado na plataforma. Ele também destacou a necessidade de políticas públicas eficazes: “Não existe uma varinha mágica. Mas existem boas políticas públicas, que permitem garantir a segurança e a proteção das pessoas que criam conteúdo legal e constitucionalmente protegido, bem como a segurança de quem consome esse conteúdo, certo? Vamos continuar lutando por isso”.
A tentativa de reposicionar a empresa ocorre após uma série de controvérsias. Em 2020, investigações conduzidas pelo The New York Times apontaram a presença de conteúdos envolvendo abuso sexual e exploração na plataforma, o que levou empresas como Visa e Mastercard a suspenderem serviços. Como resposta, milhões de vídeos foram removidos e novas políticas de verificação passaram a ser implementadas. A compra da antiga MindGeek — agora rebatizada como Aylo — foi apresentada como um “recomeço”, com a promessa de tornar a indústria mais segura e regulamentada. Ainda assim, o debate sobre os limites éticos e o impacto social desse tipo de conteúdo segue longe de um consenso.










