O político conservador alemão Jens Spahn anunciou sua renúncia ao cargo de líder parlamentar da coalizão governista da Alemanha após enfrentar uma onda de críticas por ter recorrido à gestação por substituição para formar sua família. Casado com outro homem, Spahn revelou que ele e o marido se tornaram pais por meio de uma barriga de aluguel nos Estados Unidos, prática permitida em alguns estados norte-americanos, mas proibida em território alemão. A decisão provocou forte repercussão porque o parlamentar foi, durante anos, um dos principais defensores da manutenção dessa proibição em seu país.
Em comunicado divulgado no sábado (18), Spahn afirmou que percebeu que sua felicidade pessoal ao construir uma família “não é compatível” com a posição política que ocupava. Segundo ele, o conflito entre sua escolha de vida e as expectativas em torno de seu papel como integrante da bancada da União Democrata Cristã (CDU) e da União Social Cristã (CSU) se tornou maior do que imaginava. O ex-ministro da Saúde também disse que o tom cada vez mais hostil do debate público o levou a refletir profundamente sobre sua permanência na liderança parlamentar.
A polêmica ganhou força após Spahn confirmar que seu filho nasceu por meio de uma gestação por substituição realizada nos Estados Unidos. Embora a legislação alemã proíba a prática e preveja penas de até três anos de prisão ou multa para quem a promove no país, cidadãos alemães podem recorrer ao procedimento em nações onde ele é legalizado. Ainda assim, opositores acusaram o político de incoerência, lembrando que, em 2020, ele rejeitou propostas para flexibilizar a legislação e que, anos antes, chegou a afirmar que, “como homem gay e cristão”, tinha dificuldade em aceitar a ideia de um “útero alugado”.
As críticas vieram de diferentes espectros políticos, incluindo integrantes da própria CDU. O chanceler alemão Friedrich Merz, líder do partido, declarou que a renúncia era “correta” e “inevitável”, afirmando que “a credibilidade é o bem mais precioso na política”. A situação ganhou ainda mais repercussão porque, em fevereiro deste ano, a CDU havia reafirmado oficialmente sua defesa da proibição da gestação por substituição na Alemanha, tornando a escolha pessoal de Spahn alvo de questionamentos sobre coerência política.










