A investigação contra Ratinho ganhou um novo capítulo nesta semana. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) requisitou à Delegacia Seccional de Polícia de Osasco a instauração de um inquérito policial para apurar uma fala considerada homofóbica feita pelo apresentador durante o “Programa do Ratinho”, do SBT.
O procedimento teve origem em uma representação apresentada pelo deputado estadual suplente e ativista LGBTQIA+ Agripino Magalhães (PSOL-SP), após um episódio exibido no início de agosto. Segundo informações da jornalista e colunista Mônica Bergamo, do Folha de S. Paulo, abertura do inquérito ocorre depois de a denúncia ser encaminhada à área criminal da Promotoria de Justiça de Osasco.
A declaração aconteceu no dia 5 de agosto, quando Ratinho recebeu no palco o cantor Tiago Piquilo, da dupla Hugo & Tiago. Ao comentar o novo visual do sertanejo, que havia platinado os cabelos, o apresentador disparou: “Você pintou o cabelo? Meu Deus… Você tá com uma cara de viado”. Piquilo respondeu em tom descontraído, dizendo que gostava de “inventar moda”, e a conversa seguiu no programa. A fala, no entanto, repercutiu nas redes sociais e motivou a denúncia de Agripino ao Ministério Público.
Após a repercussão, Ratinho afirmou que a declaração não passou de uma brincadeira e disse que não teve intenção de desrespeitar o cantor ou qualquer outra pessoa. “Eu estava brincando, faz 28 anos que eu brinco na televisão, nunca desrespeitei uma pessoa sequer”, declarou. Agripino, por sua vez, contestou a justificativa e afirmou que “esse tipo de fala não é brincadeira”, classificando o episódio como “preconceito, constrangimento público e reforço da violência simbólica contra a população LGBTQIAPN+”. O ativista também destacou que esta é a quarta vez que apresenta uma denúncia contra o apresentador por declarações direcionadas à comunidade.
A presidente do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, saiu em defesa de Ratinho durante a repercussão do caso. Segundo ela, o apresentador “vem de uma geração diferente”, enquanto a emissora mantém uma posição de acolhimento à população LGBTQIA+. “Para o SBT, todos são aceitos e bem-vindos. Os LGBTs fazem parte da nossa história, sempre tiveram espaço em nossos palcos. Somos iguais, independente de qualquer coisa”, afirmou. Com a instauração do inquérito, a Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias da declaração e os envolvidos poderão ser chamados para prestar depoimento. O procedimento tramita sob sigilo em Osasco.










