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Homem é preso suspeito de matar restaurador do Senado com 36 golpes de faca em hotel no DF; ele diz ter reagido a suposto assédio

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A rotina profissional dedicada à preservação da memória e do patrimônio histórico de Brasília terminou de forma brutal para o restaurador de obras de arte Walas Fidelis da Silva, de 52 anos. Recém-chegado à capital federal, onde havia começado a trabalhar no Senado, ele foi encontrado morto dentro de um quarto do Caribe Palace Hotel, em Taguatinga, na manhã do último domingo (9). A vítima sofreu 36 golpes de faca. Um homem apontado como suspeito do crime foi preso pela Polícia Civil na segunda (10).

Walas havia se mudado para Brasília em junho e, desde o dia 1º daquele mês, atuava como técnico terceirizado de conservação e restauro no Senado Federal. O trabalho do profissional estava ligado à preservação de documentos históricos, obras raras e peças de arte que integram o acervo da instituição. A atuação, portanto, estava diretamente relacionada à conservação de parte da memória cultural e documental do país.

Segundo a investigação da 17ª Delegacia de Polícia, Walas e o suspeito chegaram juntos ao hotel por volta da 1h de domingo e alugaram um quarto. O investigado afirmou à polícia que os dois pretendiam consumir drogas no local. Aproximadamente oito horas depois, funcionários ouviram uma discussão intensa vinda do cômodo e, ao verificarem o que havia acontecido, encontraram o restaurador já morto. Além das 36 perfurações provocadas pelos golpes de faca, a perícia identificou uma escova de dentes introduzida em um dos olhos da vítima. Após o homicídio, o suspeito deixou o estabelecimento pelo muro dos fundos, levando também o celular de Walas.

As imagens das câmeras de segurança foram fundamentais para a identificação do homem, localizado na segunda-feira no centro de Ceilândia. No momento da abordagem, ele usava o mesmo boné registrado pelas câmeras do hotel. Em depoimento, o suspeito, que estava em situação de rua e possui antecedente por importunação sexual, apresentou uma versão para o crime. “O homem afirmou que havia ido ao hotel com a vítima para consumir drogas. Disse ainda que dormia quando teria sido acordado pelo homem, que, segundo sua versão, estaria nu e sobre seu corpo”, afirmou o delegado Thiago Boeing, adjunto da 17ª DP. A versão é investigada pela polícia. Além do homicídio, ele foi autuado em flagrante por furto e permanece à disposição da Justiça.