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Detento recusa liberdade para continuar ao lado do namorado que conheceu na prisão na Argentina: “Quando precisei, ele esteve lá”

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Um detento de 39 anos chamou atenção na Argentina ao tomar uma decisão incomum: mesmo tendo direito à liberdade condicional, ele preferiu permanecer preso para continuar ao lado do namorado, que conheceu dentro da penitenciária. Augusto Manuel Pacicco já cumpriu 14 dos 24 meses de uma condenação por tráfico de drogas, mas pediu à Justiça para completar os dez meses restantes na Unidade Penitenciária Nº 5 de Villa María, em Córdoba. O companheiro também está detido pelo mesmo crime, embora Pacicco sustente que ele é inocente. Os dois vivem juntos em uma cela do Pavilhão C, reservado a internos com bom comportamento, e afirmam que pretendem se casar quando estiverem livres.

A rotina do casal dentro da unidade é descrita por Pacicco como uma espécie de vida a dois possível dentro do sistema prisional. Os dois trabalham como faxineiros e começam o dia por volta das 9h, cuidando da limpeza das celas e das roupas dos cerca de 140 presos que vivem no pavilhão. As refeições também são compartilhadas. “Almoçamos juntos, lanchamos e tomamos café da manhã”, contou o detento à rádio local Rock & Pop, ao explicar que eles convivem com os demais internos e tentam levar uma rotina “normal”, apesar das limitações impostas pela prisão. Para ele, permanecer ao lado do namorado neste momento é também uma forma de retribuir o apoio que recebeu quando mais precisava.

Antes de ser preso, Pacicco trabalhava como técnico em emergências médicas e atuava em clínicas e serviços de atendimento. Segundo seu próprio relato, porém, uma sequência de perdas familiares fez com que sua vida começasse a desmoronar. Em poucos anos, ele perdeu o irmão, o pai e a mãe, sem sequer conseguir elaborar completamente uma perda antes de enfrentar a seguinte. Em meio ao luto, recorreu às drogas na tentativa de anestesiar a tristeza, acabou perdendo o emprego e, posteriormente, outras áreas da vida. Quando chegou à prisão, afirma que enfrentava depressão, anemia e não tinha mais vontade de viver.

Foi justamente dentro da penitenciária que, segundo Pacicco, ele encontrou suporte para reconstruir a própria vida. O atendimento psicológico, a equipe médica, a enfermaria, profissionais da segurança e outros detentos teriam sido fundamentais para sua recuperação. Atualmente, ele faz tratamento para dependência química e depressão, utiliza medicação e afirma não sentir mais vontade de consumir drogas. “As drogas simplesmente não existem mais na minha vida”, declarou. Roy, seu namorado, foi detido cerca de um mês depois de Pacicco, e os dois acabaram se aproximando na prisão. Agora, ele diz que quer permanecer ao lado do companheiro durante os próximos meses. “Quando eu precisei dele, ele esteve lá para mim”, afirmou. Para Pacicco, sair antes da hora significaria deixá-lo sozinho justamente quando ele acredita que mais precisa de apoio.