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Refúgio reúne homens só de cueca em piscina para exercício emocional e internet questiona: “Que tipo de retiro é esse?”

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Um vídeo de cerca de 20 homens abraçados, chorando e usando apenas cuecas dentro de uma piscina vem rendendo nas redes sociais. As imagens, que à primeira vista parecem cena de algum retiro masculino bastante peculiar, na verdade registram uma atividade de respiração intensa promovida pela Breathless Expeditions, durante um acampamento de fim de semana na Austrália. O grupo encara uma série de exercícios físicos e emocionais que incluem caminhada, meditação, exposição à água fria e técnicas de respiração.

A experiência aconteceu durante uma expedição que levou os participantes ao Monte Hotham, na Austrália, e incluiu um mergulho coletivo em um lago de água gelada. A proposta, segundo a organização, é criar um ambiente em que homens possam baixar a guarda, compartilhar emoções e experimentar formas de apoio mútuo que nem sempre encontram espaço dentro dos padrões tradicionais de masculinidade. Na internet, porém, a cena foi interpretada de maneira bem menos filosófica. “Eu tenho namorado e nunca fiz nada tão gay assim”, brincou um usuário no Reddit. Outro resumiu a experiência dizendo que parecia que os participantes estavam “se preparando para serem curados por dentro”. Já um terceiro foi ainda mais direto: “Isso me curaria, mas o único problema é que eu gosto de ficar com caras”.

A repercussão também fez muita gente associar a experiência aos controversos acampamentos de “masculinidade alfa” que ganharam força nas redes sociais. A diferença é que, ao menos na proposta apresentada pela Breathless Expeditions, o objetivo parece estar bem distante de discursos sobre dominação, força ou superioridade masculina. Os retiros voltados ao público masculino custam mais de US$ 2 mil, o equivalente a cerca de R$ 10,4 mil na cotação atual, e são apresentados como experiências para estimular vulnerabilidade, conexão e reflexão pessoal.

E talvez seja justamente aí que esteja a parte mais interessante — e menos engraçada — do viral. O que parece, pelas imagens, um grupo de homens quase nus protagonizando uma espécie de “terapia gay coletiva” é, na realidade, uma tentativa de romper com a ideia de que homens precisam esconder fragilidades e resolver tudo sozinhos. A própria Breathless afirma que suas experiências buscam tornar o trabalho de respiração acessível a diferentes públicos, e seus programas incluem retiros para mulheres e grupos mistos. No fim, talvez a internet tenha julgado aqueles homens cedo demais. Porque, entre abraços, lágrimas e mergulhos em água congelante, eles podem ter descoberto algo que a masculinidade tradicional passou décadas ensinando justamente a evitar: pedir apoio, demonstrar afeto e simplesmente respirar um pouco mais aliviado.