Sete ex-policiais foram condenados nesta quarta-feira (21) a penas de até 60 anos de prisão pela execução extrajudicial de um casal gay na Guatemala. As vítimas, Eldin Choc, de 28 anos, guatemalteco, e Milton Santamaría, de 45, salvadorenho-canadense, foram mortas em abril de 2024, após serem detidas por agentes de segurança. O caso foi denunciado por organizações de direitos humanos como um crime motivado por homofobia e terminou com a responsabilização dos envolvidos após um processo marcado por provas de violência e tentativas de encobrir os assassinatos.
Segundo a acusação, os dois homens foram levados a uma delegacia no município de San Andrés Itzapa, no oeste do país, após um suposto desentendimento em uma loja. No local, teriam sido espancados, torturados e executados em razão de sua orientação sexual, em meio a manifestações homofóbicas dos agentes. Para ocultar o crime, os policiais teriam levado Santamaría a um hospital e alegado que o casal havia sofrido um acidente de trânsito. O corpo de Choc foi encontrado dias depois em uma ravina, com uma das mãos mutilada. Uma das principais provas apresentadas no julgamento foram gravações de áudio feitas durante as torturas por uma agente que denunciou o caso aos superiores.
Entre os condenados está Edy Vásquez, ex-chefe da polícia de Itzapa, que recebeu 60 anos de prisão, mesma pena aplicada a outro ex-agente. Um terceiro policial foi condenado a 30 anos pelo crime de execução extrajudicial. Duas mulheres que integravam a corporação receberam penas de 11 anos por discriminação e descumprimento de deveres, após dirigirem ofensas homofóbicas às vítimas. Os outros dois acusados foram condenados a oito e dez anos por diferentes crimes, incluindo detenção ilegal, abuso de autoridade e obstrução da Justiça. Em 2025 e 2026, dois bombeiros também foram condenados por ajudarem a encobrir a morte de Santamaría, após admitirem que ele já estava morto quando foi levado ao hospital.
A decisão foi recebida como uma vitória por familiares e organizações que acompanharam o caso. Henry Choc, irmão de Eldin, afirmou estar satisfeito com a condenação, enquanto Abraham Abrego, diretor jurídico da organização Cristosal, destacou que era fundamental impedir que o crime permanecesse impune. A Anistia Internacional e entidades locais também ressaltaram que o episódio faz parte de um cenário mais amplo de violência contra pessoas LGBTQIAPN+ no país. Na Guatemala, crimes de ódio não estão tipificados especificamente na legislação, e, segundo a Associação Lambda, cerca de 30 pessoas LGBTQIAPN+ morreram de forma violenta em 2025. Diante do tribunal, ativistas acenderam velas e exibiram uma faixa com a mensagem: “A homofobia mata”.







