O capitão do Real Betis, que disputa a La Liga, voltou a usar sua voz para enfrentar um dos maiores tabus do esporte: a homofobia no futebol masculino. Conhecido não apenas pelo desempenho em campo, Aitor Ruibal tem se consolidado como um aliado declarado da comunidade LGBTQIA+. Em entrevista ao El País, o atacante lamentou o fato de que ainda existam jogadores que não se sintam seguros para viver sua sexualidade de forma aberta dentro do esporte.
“Lamento muito que um [jogador] não possa dizer abertamente que é gay”, afirmou Ruibal. Para ele, a orientação sexual não interfere em talento, disciplina ou desempenho profissional. “A orientação sexual de uma pessoa não importa quando se trata de desenvolver uma profissão como o futebol. Trata-se de um parceiro que treina como você, que trabalha como você e que joga futebol como você.”
A fala ganha ainda mais peso diante dos números. De acordo com o Outsports, apenas 29 jogadores profissionais na história do futebol masculino se assumiram publicamente. Enquanto isso, as ligas femininas apresentam uma realidade bem diferente, com ampla presença de atletas LGBTQIA+ declaradas. O contraste escancara o quanto o ambiente masculino ainda carrega barreiras estruturais e culturais que dificultam a visibilidade.
O debate voltou à tona recentemente após Josh Cavallo, um dos poucos jogadores profissionais assumidos, relatar impactos negativos em sua carreira e episódios de homofobia. Para Ruibal, a transformação passa pela base. “A principal e melhor ferramenta para banir esses tabus e combater a homofobia é a educação”, afirmou. Ao assumir essa postura como capitão, ele reforça que liderança também significa criar uma cultura de respeito — e que o futebol só será verdadeiramente universal quando todas as identidades puderem ocupar o campo sem medo.










