A deputada estadual de São Paulo Fabiana Bolsonaro (PL) provocou indignação nesta quarta-feira (18) ao utilizar blackface durante um discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A encenação foi apresentada como uma crítica à eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Na ocasião, a parlamentar declarou: “Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra”, questionando em seguida: “E agora? Eu virei negra?”.
Durante o pronunciamento, Fabiana tentou sustentar o argumento de que pessoas trans não seriam mulheres, mesmo que se identifiquem como tal. “Não adianta se travestir de mulher”, afirmou, ao comparar identidades de gênero com sua encenação racista. Em outro momento, voltou a questionar: “Eu me pintando de negra, sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo?”. A deputada também citou experiências como menstruação, parto e menopausa para reforçar sua posição, afirmando que pessoas trans não saberiam “o que é ser mulher”.
A fala também atacou diretamente Erika Hilton, ao afirmar que a parlamentar estaria “tirando o espaço” de mulheres ao assumir a presidência da comissão. “A mulher do ano não pode ser transexual”, disse Fabiana, acrescentando ainda que “não quero que nenhum trans tire meu lugar”. Apesar de declarar que “transexual tem que ser respeitado sim”, a deputada manteve o discurso excludente ao sugerir que pessoas trans deveriam ocupar outros espaços políticos. A repercussão foi imediata, com críticas ao uso de blackface e à retórica transfóbica em um espaço institucional.
Diante do caso, Erika Hilton acionou a Justiça Eleitoral nesta quinta-feira (19), solicitando a abertura de inquérito contra Fabiana Bolsonaro. A ação aponta possíveis irregularidades na autodeclaração racial da deputada nas eleições de 2022. Segundo a representação, há indícios de que o recurso pode ter sido obtido de forma indevida, o que poderia configurar “falsidade ideológica eleitoral”. Além de Hilton, outras parlamentares acionaram o Conselho de Ética da Alesp e a polícia convencional para apurar se Fabiana cometeu o crime de racismo, punível com dois a cinco anos de reclusão.
A defesa da parlamentar, por sua vez, afirma que há “muita lacração política” no caso e sustenta que Fabiana possui ascendência negra e indígena. O caso deve ser analisado pela Justiça, que avaliará eventuais responsabilidades eleitorais e criminais.
GENTE? A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) fez black face em protesto contra Érika Hilton:
“Agora aos 32 anos decido me travestir como uma pessoa negra […] Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra que jamais deveria existir?” pic.twitter.com/z2V8thS1Ff
— POPTime (@poptime) March 18, 2026



