A atleta de vôlei Tifanny Abreu, do Osasco, comentou as novas diretrizes anunciadas pelo Comitê Olímpico Internacional para a participação de atletas trans nos Jogos Olímpicos. Em meio à disputa dos playoffs da Superliga de Vôlei, a jogadora afirmou ao jornal O Globo que não se surpreendeu com a decisão e classificou o cenário como parte de uma disputa maior. “Esta é uma luta diária contra a extrema direita”, declarou.
Na última quinta-feira, o COI anunciou que, a partir da Olimpíada de 2028, a elegibilidade para as categorias femininas será restrita a “mulheres biológicas”. Entre as novas exigências está a realização de testes genéticos, com foco no gene SRY, responsável por identificar características ligadas ao sexo biológico. Atletas que apresentarem resultado negativo para o gene serão consideradas aptas a competir permanentemente na categoria feminina. A regra marca ainda um retorno simbólico ao chamado “cartão rosa” e a práticas históricas de verificação de gênero, utilizadas desde a Jogos Olímpicos de 1968.
Para Tifanny, a decisão também reflete movimentos políticos mais amplos, incluindo a influência de lideranças conservadoras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente do COI, Kirsty Coventry. “Essa nova presidente do COI (Kirsty Coventry) se elegeu com base nesse discurso, de proibir pessoas trans no esporte feminino. Se juntou ao Trump, uma vez que os Jogos Olímpicos serão em Los Angeles, então era de se esperar. É a extrema direita querendo dominar o mundo e a gente tem de lutar contra eles”, opinou. “Não estou triste, não. Essa é uma luta diária contra a extrema direita. Temos de batalhar. Hoje estou elegível, amanhã, não. E depois muda de novo. A cada ano as regras mudam. Eu não sossego, não. O que importa é a luta.”
A fala da jogadora também dialoga com críticas de entidades como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, que lamentou as novas diretrizes e apontou um movimento global de exclusão. Enquanto isso, Tifanny segue em quadra pelo Osasco, que enfrenta o Fluminense nas quartas de final da Superliga, em meio a um debate que ultrapassa o esporte e ganha dimensão política e social.










