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Mesmo com decisão do STJ, planos de saúde seguem recusando cirurgias de afirmação de gênero para pessoas trans

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Mesmo com avanços importantes no reconhecimento dos direitos da população trans no Brasil, o acesso à saúde ainda esbarra em obstáculos que, na prática, colocam em xeque decisões já consolidadas na Justiça. Uma reportagem da Folha de S.Paulo escancara essa realidade ao mostrar que planos de saúde seguem recusando a cobertura de cirurgias de afirmação de gênero, obrigando pacientes a enfrentar longas batalhas judiciais para conseguir procedimentos essenciais.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as queixas relacionadas a esse tipo de negativa cresceram de forma expressiva nos últimos anos. Em 2018, foram registradas apenas 15 reclamações. Já em 2025, esse número saltou para 166, indicando não só um aumento na demanda, mas também uma resistência persistente das operadoras em cumprir o que já vem sendo reconhecido como direito.

A contradição fica ainda mais evidente diante de decisões como a do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em 2023 estabeleceu que cirurgias de redesignação sexual e procedimentos como implantes mamários para mulheres trans não podem ser tratados como algo meramente estético. Na visão da Corte, essas intervenções fazem parte do cuidado integral à saúde e estão diretamente ligadas ao bem-estar físico e psicológico de pessoas trans. Ainda assim, na rotina de quem precisa desses atendimentos, o que prevalece muitas vezes é a negativa automática e a burocracia.

Para além dos números e das disputas jurídicas, o impacto é profundamente humano. A recusa no acesso a esses procedimentos prolonga sofrimentos, intensifica quadros de ansiedade e compromete a qualidade de vida de pessoas que já enfrentam uma série de vulnerabilidades. O que está em jogo não é apenas a liberação de uma cirurgia, mas o direito de existir com dignidade — algo que, apesar dos avanços no papel, ainda encontra resistência no mundo real.