O clima esquentou na Câmara Municipal do Rio de Janeiro na tarde desta terça-feira (9). Durante sessão plenária, o vereador Marcelo Diniz (PSD) protagonizou um discurso marcado por ataques diretos ao ex-secretário municipal de Saúde Daniel Soranz (PSD), a quem chamou de “vagabundo” e utilizou um termo de cunho LGBTfóbico ao dizer “bicha pão com ovo”. A fala ocorreu em meio a críticas à condução da saúde pública na capital fluminense.
Durante seu pronunciamento, Diniz acusou Soranz de ainda exercer influência sobre a Secretaria Municipal de Saúde mesmo após deixar o cargo para disputar as eleições. O vereador também apontou falhas no atendimento, como a falta de médicos e medicamentos em unidades da Zona Sudoeste da cidade, responsabilizando a gestão anterior pelos problemas. Ele ainda afirmou que apresentaria provas de que servidores teriam sido convocados para participar de um evento político, o que, segundo ele, indicaria uso indevido da máquina pública.
Ao final da fala, o tom subiu e as críticas deram lugar a ofensas pessoais. “Então, secretário, você é um vagabundo! Você está mexendo com a pessoa errada! Aqui tem homem! Eu sou vereador da cidade e sou homem! Você entrou numa guerra que você não vai vencer! Nem a própria classe da saúde vota em você, ninguém gosta de você! Bicha pão com ovo!”, disparou Diniz, em um momento que rapidamente repercutiu nas redes sociais e levantou críticas sobre discurso de ódio dentro do legislativo.
Soranz respondeu ainda na noite de terça-feira, por meio de um vídeo publicado em suas redes. Segundo ele, o episódio ultrapassa o campo do debate político e configura intimidação. “Não se trata de discutir política pública de saúde. Se trata de violência política, e violência política precisa ser combatida”, afirmou. O ex-secretário também fez referência ao assassinato de Marielle Franco, alertando para os riscos desse tipo de escalada. Ele reforçou que seguirá atuando politicamente na cidade e classificou o parlamentar como despreparado, concluindo que “intimidação política não acontecerá e não passará num país democrático”.
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