Um candidato republicano ao Congresso pelo estado da Flórida, nos EUA, virou alvo de críticas após afirmar que ninguém “nasce gay” e defender que todas as pessoas seriam, biologicamente, heterossexuais. As declarações foram feitas por Rod Joseph durante uma entrevista ao conselho editorial do South Florida Sun-Sentinel, concedida nesta quarta (08). Na conversa, o político afirmou que a homossexualidade seria apenas uma “preferência sexual”, sustentando que a atração por pessoas do mesmo sexo não seria algo natural e que pessoas LGBTQIA+ seriam influenciadas ou “doutrinadas” a deixar a heterossexualidade.
“Você não pode nascer gay. Isso é biologicamente impossível. A preferência sexual, desde o Império Romano até hoje, sempre foi uma preferência”, declarou Joseph. Em seguida, o republicano tentou justificar sua tese com uma comparação envolvendo animais. “Observe o habitat natural. Você nunca vê um leão que acasala com outro leão macho para a vida toda. Você nunca vê uma girafa macho que acasala com outra girafa… Eu mesmo dizendo agora que sou uma girafa, isso não significa que seja verdade”, afirmou. Os comentários surgiram em resposta a uma pergunta sobre a publicação do deputado republicano Andy Ogles durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+, quando o parlamentar escreveu que “a homossexualidade não tem lugar na América”.
As declarações, no entanto, entram em conflito com décadas de pesquisas científicas. Estudos já documentaram comportamentos sexuais e afetivos entre indivíduos do mesmo sexo em mais de 1.500 espécies animais, incluindo mamíferos, aves, répteis, peixes e insetos. Entre os exemplos registrados por pesquisadores estão leões, girafas, golfinhos, pinguins e bonobos, que apresentam comportamentos como cortejo, formação de casais e relações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo.
Além disso, as principais entidades médicas e psicológicas do mundo são unânimes ao afirmar que a orientação sexual não é uma escolha, tampouco um transtorno. Organizações como a Associação Americana de Psicologia (APA), a Associação Americana de Psiquiatria (APA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecem que ser lésbica, gay ou bissexual faz parte da diversidade natural da sexualidade humana, posição respaldada por décadas de estudos científicos.



