Um estudo apresentado por pesquisadores da Universidade de St Andrews, no Reino Unido, revelou que o aumento da temperatura pode alterar o comportamento de pequenos besouros conhecidos por enterrar carcaças de animais. Durante um experimento em laboratório, indivíduos da espécie Nicrophorus vespilloides foram expostos a uma simulação de onda de calor e passaram a apresentar mais interações de caráter sexual entre machos. Segundo os cientistas, porém, o fenômeno não indica uma mudança de preferência dos animais, mas pode estar relacionado a falhas no sistema de reconhecimento entre os indivíduos.
A pesquisa acompanhou os besouros durante três dias, comparando o comportamento dos animais submetidos a uma temperatura de 20°C com aqueles expostos a 26°C. Em condições mais quentes, a frequência dessas interações praticamente dobrou: a média passou de pouco mais de um episódio por dupla para cerca de dois registros. Para a pesquisadora Solène Morelle, responsável pelo estudo e doutoranda da instituição britânica, o resultado mostra que o estresse térmico pode interferir na forma como os animais identificam uns aos outros.
A principal hipótese levantada pela equipe é que o calor tenha afetado os sinais químicos presentes na superfície do corpo dos besouros, responsáveis por transmitir informações sobre sexo e identidade. Como esses sinais podem se tornar menos precisos em temperaturas elevadas, os machos poderiam acabar confundindo outros machos com possíveis parceiras. “Minha hipótese de trabalho é que isso reflita um prejuízo no reconhecimento sexual, e não uma mudança na preferência por parceiros”, explicou Morelle.
Os pesquisadores destacam que o comportamento observado não deve ser interpretado com base em conceitos humanos de sexualidade, já que a fisiologia dos insetos funciona de maneira diferente. A próxima etapa do estudo será investigar se essas alterações causadas pelo calor podem afetar a reprodução, a disputa por carcaças e até a sobrevivência das populações em um cenário de mudanças climáticas. Para os cientistas, compreender esses efeitos pode revelar novas consequências do aquecimento global sobre o comportamento animal.










