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Morre Alberto Silva, gestor da Casa Florescer e referência no acolhimento de mulheres trans e travestis em São Paulo

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A morte de Alberto Silva, conhecido como Beto, deixa uma lacuna em uma das mais importantes iniciativas de acolhimento à população trans de São Paulo. Gestor da Casa Florescer 1, ele morreu nesta segunda-feira (27), aos 53 anos, após sofrer um infarto, segundo informou a amiga Leonora Áquilla. A informação também foi confirmada pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que destacou sua trajetória dedicada à promoção da dignidade de mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade. Em nota, a entidade afirmou que Beto ajudou a construir “uma rede de cuidados baseada no respeito, na escuta e na garantia de direitos”.

Criada em 2016, a Casa Florescer foi a primeira iniciativa do tipo na capital paulista voltada ao acolhimento de mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade social. Integrante da rede assistencial da Prefeitura de São Paulo, o espaço oferece moradia provisória, alimentação, acompanhamento psicológico e assistência social para até 30 pessoas. Em entrevista recente ao site Mentes Diferentes, Beto definiu o impacto do trabalho desenvolvido na instituição ao afirmar: “O mais interessante nesse trabalho é você ver um brilho no olhar de novo”. Desde sua inauguração, o equipamento já contribuiu para que 95% das pessoas acolhidas passassem a integrar a rede de saúde, enquanto 80% regularizaram a documentação, 70% retomaram os estudos e 45% conseguiram retificar nome e gênero nos documentos.

Nas redes sociais, Leonora prestou uma emocionante homenagem ao amigo e revelou a dificuldade em lidar com a perda. “Tive que ir lá ver o corpo porque a ficha não caiu”, escreveu. Em seguida, completou: “Não está sendo fácil. O Beto é uma grande inspiração para nós que aceitamos esse desafio de cuidar dos outros”. De acordo com informações do Folha de S. Paulo, o gestor chegou a ser atendido em uma unidade da Assistência Médica Ambulatorial (AMA), localizada ao lado da Casa Florescer, no bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, mas não resistiu.

Reconhecido pelo trabalho desenvolvido à frente da Casa Florescer, Beto recebeu, em maio deste ano, o Prêmio Legado do Orgulho, concedido pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Durante a cerimônia, fez questão de homenagear quem abriu caminho para iniciativas voltadas à população trans. “Quando eu penso na Casa Florescer, penso em Brenda Lee, no Palácio das Princesas, e em muitas outras pessoas que vieram bem antes”, afirmou. Na ocasião, também ressaltou os desafios da assistência social, defendeu a importância das políticas públicas para pessoas trans e encerrou seu discurso pedindo uma salva de palmas para as mulheres acolhidas pela instituição que acompanhavam a homenagem pela TV Alesp.