Home Destaque Médica é presa após acidente de trânsito e denúncia de injúria racial...

Médica é presa após acidente de trânsito e denúncia de injúria racial e homofobia contra motoristas de aplicativo: “Viado preto”

11

Uma discussão provocada após um acidente de trânsito em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, terminou com a prisão em flagrante de uma médica de 40 anos acusada de proferir ofensas racistas e homofóbicas contra dois motoristas de aplicativo. O caso aconteceu no último domingo (26), em um posto de combustíveis localizado na Avenida Santos Dumont, e ganhou repercussão nas redes sociais após vídeos registrarem parte da confusão. Identificada como Jamile Cardoso Silva dos Santos, a suspeita foi autuada pelos crimes de injúria racial, dano e condução de veículo com capacidade psicomotora alterada.

Segundo informações da Polícia Civil da Bahia, a ocorrência teve início após um acidente envolvendo cinco veículos. Equipes da Polícia Militar foram acionadas para atender a situação e, durante o atendimento, duas vítimas denunciaram ter sido alvo de ataques de cunho racista e LGBTfóbico durante uma discussão com a médica. Todos os envolvidos foram encaminhados para a 27ª Delegacia Territorial (DT) de Itinga, onde Jamile foi presa em flagrante. Nas imagens que circulam nas redes sociais, a mulher aparece dirigindo insultos como “sapatona preta” a uma motorista de aplicativo e “viado preto” a um condutor, expressões que motivaram a autuação por injúria racial.

Os motoristas também afirmaram que a médica apresentava sinais de embriaguez no momento da ocorrência. A Polícia Civil, no entanto, não confirmou essa informação, limitando-se a informar que ela foi autuada por conduzir um veículo com a capacidade psicomotora alterada, sem especificar a causa da alteração. Após a audiência de custódia realizada nesta terça-feira (28), a Justiça concedeu liberdade provisória à investigada, que responderá ao processo em liberdade enquanto as circunstâncias do caso seguem sob apuração.

Em nota, a defesa de Jamile Cardoso Silva dos Santos afirmou que a médica atravessa um período de “severo sofrimento emocional” em decorrência da morte da mãe e que está sob acompanhamento médico, fazendo uso de medicamentos controlados que atuam no sistema nervoso central. Segundo os advogados, esses remédios “podem acarretar severas alterações de humor, estado cognitivo e comportamento como efeitos colaterais”. A defesa também ressaltou a trajetória profissional da médica no Sistema Único de Saúde (SUS), descrevendo-a como uma profissional respeitada pela comunidade, e sustentou que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da investigação e do processo judicial.