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Máquinas de PrEP e PEP no metrô fazem São Paulo virar referência mundial na prevenção ao HIV

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São Paulo vem chamando a atenção internacional por uma estratégia que leva a prevenção ao HIV para além dos tradicionais postos de saúde. Em estações de metrô da capital, usuários podem retirar gratuitamente PrEP e PEP, medicamentos antirretrovirais capazes de reduzir significativamente o risco de infecção pelo HIV. A iniciativa, que começou a ser testada em 2024, tornou-se uma das experiências que despertaram o interesse de pesquisadores estrangeiros durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro.

As máquinas estão instaladas nas estações Brás, Consolação, Luz, Santana e Vila Sônia e permitem que pessoas previamente cadastradas retirem os medicamentos sem precisar passar presencialmente por uma unidade de saúde. Para ter acesso, é necessário utilizar o aplicativo e-saúdeSP, apresentar um teste negativo para HIV, realizar uma consulta virtual e obter um QR Code para liberar a retirada. A PrEP pode ser utilizada de forma contínua ou sob demanda, enquanto a PEP é indicada após uma possível exposição ao vírus e deve ser tomada durante 28 dias.

A proposta surgiu justamente para diminuir barreiras que ainda afastam parte da população dos serviços de prevenção. Segundo especialistas envolvidos no projeto, questões como distância, horário de funcionamento dos postos, constrangimento e medo de julgamento relacionado à vida sexual podem dificultar o acesso à PrEP e à PEP. Desde a instalação da primeira máquina, em junho de 2024, cerca de 15 mil dispensações foram realizadas nas estações. Ao todo, aproximadamente 85 mil pessoas já utilizam os medicamentos na cidade, enquanto os novos diagnósticos de HIV acumulam uma queda de 53% desde 2016.

Apesar do reconhecimento internacional, o modelo não deve ser adotado em todo o país por enquanto. O Ministério da Saúde afirmou que os custos de implantação e manutenção das máquinas seriam incompatíveis com a sustentabilidade do SUS e defendeu que a estratégia nacional de prevenção já apresenta resultados satisfatórios. Em São Paulo, cada equipamento custa atualmente cerca de R$ 19,3 mil por mês. Mesmo sem ser possível atribuir a redução das infecções exclusivamente às máquinas, a experiência paulista reforça a importância de aproximar a prevenção da rotina da população — especialmente de grupos que ainda enfrentam preconceito e dificuldades para acessar os serviços de saúde.