O tênis profissional viveu um momento histórico neste domingo (13), com a primeira final disputada entre dois atletas assumidamente gays em atividade. O feito teve participação brasileira: João Lucas Reis enfrentou o suíço Mika Brunold na decisão do Challenger de Tulln, na Áustria. Em quadra, Brunold levou a melhor por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/3, e ficou com o título da competição. Mais do que o resultado esportivo, o confronto marcou um momento simbólico para um esporte que ainda conta com poucos atletas profissionais que falam publicamente sobre sua orientação sexual durante a carreira.
João Lucas entrou para a história em 2024, quando tornou pública sua homossexualidade ao compartilhar nas redes sociais fotos ao lado do namorado. O pernambucano revelou posteriormente que tinha receio de como seria recebido no circuito profissional, mas afirmou ter encontrado uma reação positiva depois de se assumir. A mudança também coincidiu com uma fase de evolução dentro das quadras. Entre os destaques, estão a conquista de um torneio que garantiu ao brasileiro uma vaga no qualifying do ATP 500 do Rio e, em junho de 2025, seu primeiro título de Challenger, conquistado em Santa Fé, na Argentina. Antes dele, tenistas como Brian Vahaly e Bobby Blair também haviam falado publicamente sobre serem gays, mas somente após o encerramento de suas respectivas carreiras profissionais.
Mika Brunold seguiu um caminho semelhante ao tornar pública sua orientação sexual nas redes sociais no ano passado. Em uma publicação, o suíço falou sobre as dificuldades que envolvem crescer tendo de lidar com o medo da rejeição, a pressão pelo silêncio e a sensação de não se encaixar. “Ser gay não significa apenas se sentir atraído por pessoas do mesmo gênero. Também significa lidar com coisas que a maioria das pessoas nunca precisa pensar”, escreveu o atleta. Na sequência, Brunold afirmou sentir orgulho da pessoa que se tornou. Assim como João Lucas, o suíço também viveu os melhores momentos de sua carreira depois de falar abertamente sobre sua sexualidade, transformando a visibilidade fora das quadras em parte de uma trajetória marcada por avanços esportivos.
Até chegar à decisão em Tulln, João Lucas havia vencido as quatro partidas anteriores sem ceder nenhum set aos adversários. Brunold, por sua vez, teve uma campanha ainda mais dominante: foram sete vitórias ao longo do torneio e apenas um set perdido. Na final, o suíço conseguiu controlar os principais momentos da partida e confirmou o título diante do brasileiro. Apesar da derrota, a presença de João Lucas na decisão representa um marco para a visibilidade LGBTQIA+ no tênis e acontece em um contexto ainda raro no circuito: dois homens que vivem abertamente sua sexualidade chegaram juntos à última partida de um torneio profissional, sem precisarem esconder quem são para seguir suas carreiras no esporte.








