Para coroar sua chegada ao posto de rainha de bateria da Grande Rio, Anitta decidiu dividir o momento com uma personagem que ajudou a escrever a história do próprio Carnaval: Eloína dos Leopardos, pioneira trans que entrou para a história como a 1ª rainha de bateria, que desfilou à frente da bateria da Beija-Flor de Nilópolis em 1976. A cantora fez questão de levar a sambista para a quadra da escola, em Duque de Caxias, onde Eloína foi responsável por colocar a coroa em sua cabeça durante a cerimônia realizada neste domingo (20). A escolha, segundo Anitta, nasceu justamente do desejo de transformar sua coroação em um momento que tivesse significado e dialogasse com a história da Grande Rio e com o enredo que a escola levará para a Avenida.
Em conversa com jornalistas após a cerimônia, Anitta contou que recebeu liberdade para decidir como gostaria de construir sua coroação. A partir daí, passou a pesquisar a história desses momentos no Carnaval e pensar em uma forma de fazer com que a celebração tivesse mais do que o caráter simbólico de sua chegada à bateria. “Eu quero fazer algo que traga fundamento, que traga emoção”, explicou. A cantora chegou a defender que a emoção deveria ter ainda mais espaço nos desfiles, lembrando como a identificação do público com um enredo pode mobilizar uma comunidade inteira. Foi nesse desejo de criar uma apresentação que provocasse esse tipo de conexão que a escolha de Eloína começou a ganhar sentido.
Outro ponto que pesou na decisão foi a relação entre o enredo da Grande Rio e o trabalho que Anitta vem desenvolvendo em sua carreira. A cantora destacou que a proposta da escola, baseada na ancestralidade e na importância de revisitar o passado para compreender o presente, conversa diretamente com conceitos presentes em seu álbum, Equilibrium. “Quando você vai falando do enredo, às vezes parece que você tá falando do meu álbum, de tanto link que tem, ancestralidade, retorno ao passado e tudo mais”, afirmou. Por isso, ela queria que sua coroação também fosse capaz de contar uma história e aproximar o público desse universo, em vez de ser apenas uma celebração pessoal.
Foi ao olhar para essa história que Anitta chegou a Eloína. Para a cantora, recuperar a trajetória da pioneira também significava reconhecer os fundamentos que ajudaram a construir o samba e valorizar uma personagem que nem sempre recebe o devido espaço quando se fala sobre a história do Carnaval. “Pra mim, a Eloína traz esses fundamentos do samba”, declarou. Anitta ressaltou ainda que conhecer o passado é essencial para compreender as tradições e respeitar quem veio antes. “O samba tem muita história pra contar”, afirmou, antes de relacionar a homenagem a uma questão que considera ainda mais urgente: a resistência da população trans e travesti no Brasil.
Ao explicar por que considerava importante levar Eloína para aquele momento, Anitta deixou claro que a homenagem também tinha uma dimensão política. “Eu quis trazer ela, porque eu acho que traz uma bandeira muito importante pra esse momento político que estamos vivendo, com as pessoas LGBTQIA+”, disse. Para a cantora, colocar uma mulher trans e travesti que foi pioneira no Carnaval no centro de sua própria coroação é também uma maneira de lembrar a resistência dessa população e de manter viva uma parte da história que ajudou a transformar a folia. “Eu gosto de trazer essas reflexões”, completou.
Anitta contando como escolheu a Eloína dos Leopardos para coroar lá como rainha da bateria da Grande Rio. pic.twitter.com/vh8AdlftEg
— Anitta Press (@AnittaPress) September 21, 2026










