A escritora britânica JK Rowling voltou a defender suas posições contrárias a aspectos do ativismo pelos direitos das pessoas trans em um novo ensaio publicado na quarta-feira (21), em seu site oficial. No texto, a autora da saga Harry Potter classificou o movimento trans contemporâneo como “elitista em sua essência” e reafirmou que suas opiniões “não mudaram” desde a publicação de um ensaio semelhante, em junho de 2020. Segundo Rowling, “o cenário certamente mudou, e meu próprio envolvimento com a questão tornou-se prático, além de teórico”, o que a levou a considerar que “era hora de uma atualização”.
Ao longo do texto, a escritora alegou ter recebido “uma avalanche de ameaças de morte, estupro e tortura” em razão de suas posições. Rowling afirmou que mantém um “compromisso de toda a vida com os direitos e oportunidades das mulheres e meninas”, com atenção especial às que estão em situações de vulnerabilidade. Ao criticar o ativismo trans, declarou que “quanto mais privilegiada você for, menos isso tende a te afetar e mais pode te beneficiar”. Ela também afirmou que “o ativismo trans do século XXI é o oposto” dos movimentos populares históricos pelos direitos civis, LGBT+ e das mulheres. “É elitista em sua essência”.
Rowling reconheceu que existem “sem dúvida” pessoas trans em situação de vulnerabilidade e afirmou que elas não devem ser discriminadas no acesso à moradia ou ao emprego, nem ter seus direitos humanos ou sua segurança pessoal negados. A escritora, porém, voltou a defender espaços exclusivos para pessoas do sexo feminino, alegando que “os homens, como grupo, representam um risco para as mulheres e meninas, também como grupo”. Ela acrescentou que “nem todos os homens são estupradores, voyeurs ou exibicionistas”, mas que “o número deles é suficiente para tornar a proteção necessária”. Ao justificar sua posição, declarou que mulheres e meninas reivindicam instalações exclusivas “não porque odiamos pessoas trans” ou desejam que elas “sejam de alguma forma erradicadas da existência”, mas porque, segundo ela, possuem “problemas e necessidades específicas que os homens não têm”. Ao final, prometeu: “Continuarei a me manifestar” e a usar seus recursos para financiar ações judiciais e serviços de apoio a mulheres vítimas de violência sexual.
A publicação ocorre em meio à continuidade das controvérsias envolvendo as posições da autora, que recebem críticas de ativistas e organizações pelos direitos trans e apoio de setores contrários a determinadas políticas de reconhecimento de gênero. Em 16 de outubro, manifestantes em defesa dos direitos trans protestaram no tapete vermelho de uma apresentação de gala do espetáculo Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, no Palace Theatre, em Londres. Neste mês, a BBC também anunciou um documentário em duas partes sobre Rowling, que abordará sua trajetória com Harry Potter e suas visões descritas pela emissora como “polarizadoras” sobre gênero.







