Jade, dona da extinta boate 1140, faz retorno triunfal pra noite carioca

Pode entrar Me Lady!

Jade Lima, atualmente com 54 anos, que foi dona e administradora da lendária boate 1140 durante 27 anos, volta pra noite carioca nessa sexta-feira (12/07), com a triunfal festa Me Lady. Vinda de São Luís do Maranhão, aos 2 anos de idade, Jade se considera “Marioca”, já que passou a maior parte da sua vida no Rio de janeiro. A empresária deixou a liderança da 1140, para se dedicar à recuperação de seu marido, que vinha lutando contra um câncer até pouco tempo. Durante esse hiato de mais de 5 anos, sem se quer se envolver com questões de festas e afins, apenas se dedicando aos estudos e à família, a empreendedora volta à cena com uma festa que resgata a essência de sua antiga boate.

Atualmente, Jade atua no mercado imobiliário, após ter concluído o seu curso superior, além de ter feito vários cursos voltados para o mercado de imóveis, a empresária lança o projeto Me Lady, não só na intenção de retornar à cena, mas também de preencher um vazio interno que a perda de seu marido deixou, “e foi uma coisa que começou a me dar alegria, a me motivar, a me fazer bem e aí eu decidi voltar por conta disso, para realmente preencher esse vazio que eu estava sentindo com a perda do meu marido”, desabafa Jade.

Me Lady vem para resgatar o melhor de todos os tempos da noite LGBT carioca, com direção artística de Alexandre Azevedo. Com a intenção se tornar uma festa mensal, às sextas-feiras, sua estreia acontece no Up Lounge, uma já tradicional casa carioca, com sistema de mega open bar. A festa conta com a presença da MC Rebecca e de grandes ícones da cena LGBT, como os lendários DJs Marcão, Robson e Claudinho – que também atuaram durante anos na 1140 – assim como Suzy Brasil, que teve como berço artístico a extinta boate. Além disso, o evento terá tequileirxs e gogo dancers para animar ainda mais a noite, “juntar todo mundo e a gente fazer um grande encontro e a gente fazer aquela farra”, conta a empresária.

Um comeback desses merece sim uma exclusiva para os leitores do Pheeno e assim, gentilmente, Jade tirou um tempinho da sua atribulada rotina, para responder algumas perguntas que fizemos a ela. Confira a entrevista abaixo. Porém, quando a entrevista foi feita, até então, quem faria o show principal da noite seria Lorena Simpson, que precisou fazer uma cirurgia de emergência.

O que te motivou a gerir uma boate LGBT por tanto tempo?
“O que me motivou a gerir o publico LGBT foi o carinho do próprio publico, a educação, as amizades que eu fiz, até antes mesmo de pensar em ter uma boate gay (todos meus amigos eram gays, eu só andava com gays a vida inteira desde minha adolescência). Abri a boate até sem saber se ia dar certo ou não, já que na época a 1140 era uma boate hetero e foi transformada em uma boate gay através da ideia de uma amiga lésbica que trabalhava com a gente. Ela deu a ideia e fluiu; o negócio foi indo e deu certo.”

Após esse hiato, você volta pra cena carioca com uma festa que une o atual e o retrô, o que te fez voltar pra noite e de onde veio a ideia de unir o ‘novo’ e o ‘antigo’?
“A festa surgiu de uma ideia que eu já tinha desde o ano passado, foi quando procurei o Marcão para fazermos exatamente uma coisa retrô, relembrando aqueles velhos tempos e tal, mas como meu esposo ainda estava doente eu não pude fazer esse evento na época. Meu marido lutou contra um câncer por 5 anos e eu fiquei ali cuidando dele. Precisei parar com a noite e voltei porque infelizmente ele se foi. Este projeto é algo que começou a me dar alegria, uma coisa que começou a me motivar, a me fazer bem, decidi voltar por conta disso, para realmente preenche o vazio deixado pela perda do meu marido.”

A grande estreia da Me Lady chegou e conta com um time de peso, incluindo show da Lorena Simpson, Suzy, Marcão, Robson e Claudinho, que fizeram história juntos com você. Quais são as expectativas da Jade pra esse grande comeback?
“Tenho a expectativa de rever os amigos e cliente que não vejo há muitos anos. Juntar esses amigos e enaltecer esses artistas da noite. Juntar todo mundo e fazer um grande encontro, na verdade. Fazer não só uma festa, mas um encontro, para a gente fazer aquela farra.”

Já podemos esperar novos projetos da Jade? Qual seu próximo passo?
“Projeto a gente sempre tem, né? O negócio é botar em prática e fazer dar certo. Eu faço as coisas com amor, faço as coisas com atenção, com qualidade. Pelo menos eu tento buscar isso em tudo que eu faço. Eu como boa ariana que sou – você sabe que ariano é muito perfeccionista – gosto das coisas muito certinhas, né? E meu próximo passo está nas mãos de Deus. Ele é quem sabe. Ele é quem rege. Ele é quem sabe de tudo. Ele e a minha Nossa Senhora da Aparecida. Eles dois é que sabem o que me aguarda no futuro.”

Alguma surpresa que os leitores do Pheeno possam esperar dessa grande estreia?
“Não diria surpresa, mas a gente estar junto. Ouvir boa música, tanto vindo do Marcão quando do Robson e do Claudinho. A Suzy maravilhosa. Lorena que é um ícone da noite gay também. Não tem algo que eu possa falar “surpresa”. A surpresa eu acho que vai ser a gente interagir, a gente se divertir de verdade. Ouvir música de boa qualidade, dançar, beber, curtir. A surpresa é olhar na carinha de cada um e ter certeza que estão se divertindo e que está valendo a pena eles estarem aqui comigo.”

Você é um ícone da cena LGBT carioca, o que a Jade tem pra nos dizer sobre a atual cena do Rio e as suas expectativas daqui pra frente?
“O que eu vejo da cena carioca LGBT é que muitos lugares estão fechando. Poxa, foi Le Boy, foi Cine Ideal e lugares bons que as pessoas iam. A própria 1140, onde as pessoas se divertiam e estão fechando. Eu acho muito estranho, eu acompanhei tudo e dá uma tristeza muito grande ver que a coisa está se acabando. Claro que tudo tem a ver com a crise. A crise no nosso país realmente está preocupante, mas sempre tem um espaço pra gente se divertir. Pra gente ouvir uma boa música, encontrar os amigos, porque faz parte da vida. A gente trabalha, ganha nosso salário e a gente tem que pegar esse salário e se divertir com a gente mesmo. Ser feliz! Porque ninguém trabalha para ficar em casa dormindo. Tem que sair, se divertir e hoje tem poucas opções pra isso, mas vamos ver se a gente consegue resgatar alguma coisa, vamos fazer alguma coisa diferente ou então continuar no próprio tradicional, pois tem gente que gosta do tradicional também.”

Serviço

Me Lady | Revivendo o melhor de todos os tempos da noite LGBT carioca
Sexta 12/07, no Up Lounge
Entrada de R$50 a R$60 (com open bar incluso)
Av. das Américas, 2000, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ. A partir das 23h.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos, designer gráfico, editor de vídeos, dono de concursos drag e o mais novo colaborador para conteúdos sobre diversidade LGBTQIA+ para o portal Pheeno.com.br