Após agressões da família, Sophia Barclay encontra força na arte drag e no amor

Drag é arte, amor é CURA e preconceito mata SIM!

Aos 16 anos, após sofrer inúmeras agressões da família, Paulo, que dá vida à Sophia Barclay foi expulso de casa e encontrou sua esperança na arte drag e no amor.

Sophia Barclay, atualmente com 19 anos, nasceu em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, onde morava com seu pai e sua madrasta. Quando ainda tinha 16 anos Paulo, que dá vida à Sophia foi fortemente agredido por seu pai e expulso de casa.

Essa não foi a única que o jovem sofreu agressões físicas dentro de casa. Antes desse episódio, que mudou sua vida radicalmente, ele já havia sido agredido física e verbalmente pela então esposa de seu pai.

Após sair de casa Paulo morou nas ruas, sofreu outros traumas, até que uma clínica de estética local lhe ofereceu um emprego, após receber seu primeiro salário o rapaz não teve dúvidas, correu pra rodoviária e comprou passagens só de ida para o Rio de Janeiro, onde conheceu seu atual marido, Rael Nunes.

Foi através de um post de Fael, em uma rede social, que tivemos conhecimento da história de Sophia, assim então o casal nos concedeu uma entrevista pra contar um pouco de sua história e de como a drag queen vem se superando a cada dia.

Confira como foi a nossa conversa com esse casalzão da $#%&*@:

Sophia, quando você começou a fazer drag e o que te motivou?
– “Comecei como Drag dia 14/08/2016 faz 3 anos e meio. Após uma agressão que eu sofri em março de 2016, eu tive depressão, então algo dentro de mim gritava um lado meu que eu não conhecia, então foi onde nasceu a Sophia Barclay.”

Quais suas inspirações dentro da arte drag?
– “Olha pra ser sincera não me inspiro em nenhuma das drags do nosso país, gosto de me inspirar em mim mesma, me inspiro em tudo que já sofri e passei para ter força em continuar.”

Sua drag tem algum conceito, qual?
– “A Sophia Barclay ela tem o conceito em lutar a favor dos direitos LGBTQ, sou uma Drag modelo, blogayira, gosto de fazer coisas diferentes.”

Além de fazer drag, o que mais você faz?
– “No momento estou apenas focada na minha drag. Pretendo tentar uma carreira musical, atriz, modelo, vou tentar de tudo até eu conseguir.”

Quando conheceu o Rafael?
– “Conheci o Rafael no mesmo dia que me montei como drag pela primeira vez no dia 14/08/2016.”

Como se conheceram?
Sophia: – “Foi algo que não sei explicar, Rafael me encarava o tempo todo numa parada LGBT em um bairro da zona oeste do Rio, então eu já incomodada fui tirar satisfação, e então rolou o primeiro beijo.”
Rael: – “Mozão e eu, nos conhecemos na nossa primeira parada gay rs. Daí foi amor à primeira vista, e estamos juntos até hoje.”

Rael, além de dar todo o suporte à Sophia, o que mais você faz?
– “Estudo, trabalho e ajudo o mozão na sua vida artística.”

Qual o atual status do relacionamento de vocês?
Sophia: – “União estável, pretendemos mais pra frente oficializar com um casamento.”
Fael: – “União estável, praticamente, casados rs. Porém, estamos preparando para pararmos o mundo.”

Pedimos à Sophia que nos contasse como foi esse terrível acontecimento em sua vida, que mudou sua história pra sempre:

“Foi um episódio muito complicado da minha vida, sim fui espancado e expulso de casa aos meus 16 anos, o agressor foi meu pai que prefiro não identificar, foi apenas uma vez a agressão física, mas eu já sofria várias agressões físicas e verbais da esposa do meu pai, na época da agressão fiz sim o boletim de ocorrência na DP de Guarulhos, SP.
Foi algo muito complicado pra mim, morei em rua por dias, tive depressão profunda a ponto de ter tentado me suicidar, cheguei ter traumas, medo em andar na rua e ser agredido de novo, por isso sempre digo, quem me salvou foi minha drag.”

De qual forma a arte drag te ajuda onde em dia?
– “Minha drag tem personalidade diferente de mim, minha drag é lacradora, animada, doida, então minha drag me faz esquecer tudo que já passei.”

Perguntamos também como tem sido a vida do casal, após esse trágico acontecido e de qual maneira eles lidam com isso:
Sophia: – “Hoje eu tenho mais experiência, não guardo mágoas do meu pai, foi através disso que passei que eu me encontrei de verdade, isso me fez ter a força que tenho hoje.
Nossa é algo que não sei explicar, Rafael que sempre me anima e me faz ter força para continuar além da minha drag, ele quem sempre me incentivou a nunca deixar de sonhar.”
Fael: – “Olha, o principal de tudo, é o amor. Estamos dispostos a vencer o mundo se for preciso, só para sermos felizes no final. Cada dia que passa, vencemos um Leão diferente.
Sempre e para sempre. Seu sonho é meu sonho. E o que eu puder fazer para com que ela cresça e conquiste mais e mais, eu farei.”

Fael, você pretende fazer drag também, ainda que seja pra ajuda-la de alguma forma?
– “Não, não. Não preciso me transformar para ajuda-la. Ajudo de todas as formas possíveis, do meu jeito.”

Pra finalizar essa conversa com aquele toque especial, pedi para que os jovens deixarem um recado pra vocês, leitores:

Fael – “Sejam vocês, e não o que as pessoas querem que vocês sejam. Liberte-se, e seja feliz. O mundo lá fora pode até ser ruim, mas deixar de ser quem você quer ser, é muito pior. Seja Feliz, isso é o mais importante!”

Sophia – “Olha digo há vocês, nunca espere uma aceitação da sociedade e da família, você quem tem que se aceitar, se ame acima de tudo, nunca permita as pessoas dizer que você não é capaz, nós somos capaz de tudo, agarre nos seus sonhos e lute.
Lutar sempre, vencer? Talvez, Desistir? JAMAIS.”

Paulo, que atualmente prefere ser chamada somente de Sophia, se entende como gênero fluido e tem uma história de vida como a de diversos brasileiros que sofrem com agressões físicas e verbais motivadas por preconceito, que na maioria das vezes beira a ignorância.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos, designer gráfico, editor de vídeos, dono de concursos drag e o mais novo colaborador para conteúdos sobre diversidade LGBTQIA+ para o portal Pheeno.com.br