Conheça a nova dupla LGBT do funk carioca: ‘ALLU’

A volta das duplas do funk carioca!

Depois de trabalharem e atuarem na produção audiovisual de diferentes artistas, chegou a hora dessa dupla de amigos se lançar oficialmente no mercado. Conheça ‘ALLU’.

Alan Oliveira (27) e Lucas Belo (24) se conheceram há cerca de dez anos, quando participavam do mesmo fã clube da funkeira ‘Karol Ka’, atualmente conhecida como ‘Karollina’. Desde então a amizade entre os dois foi cada vez ficando mais forte.

Alan Oliveira

Ambos já tinham intimidade com produção artística e cultural, e foi através de uma conversa pela internet que os amigos fundaram oficialmente a dupla ‘ALLU’ – junção das duas primeiras letras de cada nome: Alan e Lucas.

“Nós estávamos conversando pelo ‘WhatsApp’, como fazemos todos os dias, e simplesmente o Alan pensou: ‘a gente consegue tanta coisa pras pessoas, porque a gente não tenta?’ Eu (Lucas) já tinha algumas composições e compartilhei, daí fomos gravar e assim se formou a dupla”.

Lucas Belo

Tendo como forte inspiração as nostálgicas duplas do funk carioca, como Naldo e Lula, Claudinho e Buchecha, Cidinho e Doca, entre outras, a dupla começou a trilhar sua própria história em dezembro do ano passado. Quase quatro depois, então, foi lançada a primeira música oficial, “Rebolada Punk”, que já está disponível em todas as plataformas digitais.

A faixa de estreia do duo traz uma mistura animada entre o funk carioca e o brega. Composta pelo Lucas Belo, a letra da música mostra que quando o assunto é diversão, não há distinção de raça nem gênero, o que prevalece é a diversidade e inclusão, convidando todo mundo pra dançar até o chão. Por serem militantes das causas LGBT+ e terem que lidar com a luta diária contra o preconceito, Alan e Lucas fazem questão não sexualizar qualquer tipo de estereótipo através da sua arte.

“Rebolada Punk” chegou às redes de streaming nesta sexta-feira, dia 03/04, acompanhada do vídeo clipe, com produção da Ápeiron Produções Artísticas, tendo como cenário a comunidade do morro do Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, conjunto de favelas na fronteira entre os bairros de Ipanema e Copacabana, na zona sul carioca. “A gente queria fazer uma festa na laje”, comenta Lucas.

Para deixar todo mundo ligado nesse lançamento, convidamos os rapazes para uma breve entrevista. Confira abaixo como foi nosso bate-papo e conheça um pouco mais sobre a dupla.

Por que do nome “ALLU”?
“Ficamos em dúvida entre diversos nomes, mas pensamos que seria legal juntar os nossos nomes, assim como a gente faz na vida. A gente se une pra fazer as coisas darem certo.”

Por que se lançar como uma dupla funk?
“Eu acho que é a nossa essência, nossa identidade. Além de ser nosso gênero musical preferido (o funk), a gente cresceu escutando. O Lucas já morou em comunidade e o Alan frequentava. Temos um máximo respeito e somos muito fãs das duplas de funk que fizeram sucesso no passado. Estamos tentando reviver isso.”

Foto: Marcos Mello

Vocês pretendem se manter nesse gênero musical?
“Nós cantamos o que é popular, não iremos rotular o nosso som. O primeiro trabalho é brega funk, mas iremos cantar pop, funk etc.”

Qual o por quê do nome “Rebolada PUNK”, já que é uma faixa de brega funk?
“O nome ’Rebolada Punk’ não tem ligação com o rock. O que acontece é que a rebolada da galera do Rio de Janeiro é uma coisa muito estrondosa, a galera domina demais e por isso temos uma ‘rebolada punk’, aquela que não sai da cabeça de ninguém.”

Quem assina a produção musical?
“Anderson Jr, o ‘Nem’. Ele é fera, produz pro Jhama, Maria (a ‘Verena’, da novela ‘Amor de Mãe’), Malía, entre outros artistas renomados no mercado.”

Como foi a experiência de gravar uma música?
“Nós nunca tínhamos entrado num estúdio para gravar, e foi uma experiência sensacional e difícil pra caramba. Nós estamos realizados.”

Foto: Elias Soares

Qual foi a sensação de gravar um clipe?
“Nós já estávamos acostumados, pois fizemos a produção de vários clipes, mas estar na frente das câmeras é muito diferente. Nós sempre quisemos estar ali e conseguimos realizar o nosso sonho. Fizemos com todo nosso coração e estamos muito felizes com o resultado.”

Quais os próximos planos da dupla?
“Nós já temos uma música gravada que se chama “Troca Troca”, porém, com este problema do Covid-19, infelizmente não conseguiremos dar continuidade ao nosso planejamento anual. Nós iremos esperar a pandemia passar, para gravar o clipe e liberar pra galera. A música está sensacional.”

Vocês já tinham cantado juntos?
“A gente sempre foi de sair juntos e como sempre fomos os mais animados do grupo, nossos amigos sempre pediam pra gente cantar nos karaokês da vida. Não passava de diversão e a gente nunca pensou que fosse chegar a esse ponto.”

Algum de vocês teve experiência como cantor?
“O Lucas trabalhou profissionalmente com isso, já cantou no teatro e na igreja. Já o Alan, nunca teve contato com a música.”

Foto: Marcos Mello

Já enfrentaram alguma dificuldade enquanto artistas LGBTs?
“A gente tem ciência de que ser artista independente no Brasil é muito complicado e ainda mais quando se levanta essa bandeira. É um leão por dia que a gente mata. Há muito preconceito dentro do meio LGBT mesmo, mas estamos aqui pra quebrar paradigmas.”

Pra vocês, qual a relevância de levantar a bandeira LGBT+ no meio artístico?
“É o que a gente vive. Nós já sofremos preconceitos apenas por sermos quem a gente é. Por isso nós queremos levar a nossa música para a casa das pessoas e mostrar que podemos tocar o coração e trazer alegria independente de orientação sexual. Todos somos iguais.”

Qual mensagem gostariam de deixar pra quem está lendo?
“Aos leitores do Pheeno, nós queremos deixar todo o nosso agradecimento a todo carinho que estamos recebendo. Muito obrigado, pra gente é muito importante. Continuem nos acompanhando, que juntos iremos muito longe.”

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto