Assassinatos de pessoas trans voltam a subir em 2020, aponta relatório divulgado pela ANTRA

O Brasil apresentou novo aumento consecutivo nos casos de assassinatos de pessoas trans em relação ao ano de 2019, desta vez no primeiro quadrimestre de 2020, mesmo no período de pandemia pelo coronavírus, segundo relatório divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

De acordo com a associação, já nos dois primeiros meses dos anos, entre 1/01 e 28/02/2020, o Brasil apresentou aumento de 90% no número de casos de assassinatos em relação ao mesmo período de 2019. Em 2019 foram 20 casos no mesmo período, enquanto em 2020, 38 notificações, o maior da série dos últimos quatro anos, superando 2017, ano em que o país apresentou o maior índice de assassinatos de sua história de acordo com o Altas da violência e anuário da segurança pública.

O boletim aponta que em referência aos meses de janeiro a abril, em 2017 tivemos 58 assassinatos, 63 em 2018 e 43 ocorrências em 2019. Percebemos assim o aumento de 49% nos assassinatos em relação ao mesmo período de 2019, e acima dos anos anteriores – 2017 e 2018, com 64 casos em 2020 conforme tabela divulgada pela ANTRA. A associação ressalta que todas as pessoas trans assassinadas até o momento são travestis e mulheres transexuais. Ainda de acordo com o relatório, no mesmo período tivemos ainda 11 suicídios, 22 tentativas de homicídio e 21 violações de direitos humanos. Além de 6 casos de mortes relacionadas ao COVID-19.

Isolando os meses de março e abril como referência para observar o período inicial da pandemia, a ANTRA destaca um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo durante a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. “Mesmo diante deste cenário e da constante cobrança por parte dos movimentos sociais, não houve até o momento um único projeto específico de apoio à população LGBTI+ para o enfrentamento da pandemia”, aponta a associação.

Recentemente, a ANTRA encaminhou um documento contendo um panorama ampliado sobre a situação das pessoas LGBTI+ durante a crise sanitária do coronavírus, além de uma série de recomendações ao relator independente para a proteção contra a violência motivada por orientação sexual e/ou identidade de Gênero da ONU.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!