Ex-ator pornô gay desabafa sobre racismo na indústria e afirma que recebia menos por ser preto

O ex-ator pornô gay Race Cooper, famoso por seu trabalho com a produtora Raging Stallion, hoje conhecida como Falcon Studios, desabafou sobre sua experiência de racismo na indústria pornográfica. Em entrevista ao site PinkNews, Cooper afirma que recebia menos por ser preto.

O ator começou sua carreira na Raging Stallion em 2010 e afirma que o estúdio apenas ofereceu a ele um contrato para “parecer menos racista”. “Em 2010, me tornei a única pessoa negra em período integral que trabalhava como funcionário. Havia um racismo sistemático na empresa”, afirmou Cooper. “Até mesmo as cenas de fetiche que fiz, onde pagam um pouco mais, eu ganhava bem menos do que qualquer outro ator exclusivo que fosse branco”.

Cooper conta que os homens pretos ainda são fetichizados de maneiras degradantes dentro da indústria, sendo reduzidos apenas ao órgão genital. “Quando você fetichiza uma pessoa, está transformando-a em algo. Fetiches como brincadeiras não têm nada a ver com raça ou cor da pele e qualquer um pode participar. Mas quando seu fetiche é ‘um cara preto’, você está retirando o componente humano e tratando-o apenas como objeto com base na cor da pele”, declarou.

Enquanto muitos estúdios de pornografia gay declaram apoio aos protestos do Black Lives Matter em todo o mundo, Cooper destaca que isso não é suficiente e incentiva mais ações em torno da diversidade. “Embora o Black Lives Matter se concentre na brutalidade policial, a maneira como vemos e tratamos os outros sexualmente e nos envolvemos com eles também deve ser abordada”, pontua.

COMUNICADO

Em comunicado ao Pink News, Tim Valenti, presidente e CEO da Falcon Studios disse respeitar o posicionamento do ex-ator pornô e garantiu que as atitudes da antiga Raging Stallion não fazem parte do legado da Falcon atualmente.

“Acredito que vozes como a dele devem ser ouvidas. Eu só quero ouvir e trabalhar para fazer melhor. É verdade que nos 50 anos de história da Falcon, o estúdio contratou principalmente artistas brancos. Não posso desculpar as escolhas de Chuck Holmes ou de qualquer um dos veteranos do setor que administravam essa empresa antes de mim, mas posso garantir que, como presidente e CEO hoje, não quero que esse seja o legado da marca Falcon”, disse.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!