Restaurante com funcionários LGBTs enaltece a gastronomia iorubá

Vai ter “comida de santo gourmet” SIM!

A Casa Omolokum é um restaurante localizado na Pedra do Sal, região central do Rio de Janeiro, que emprega, não só, membros da comunidade do Morro da Providência (onde está inserido), como também dá muitas oportunidades para funcionários LGBTs. Além do filho e do genro da dona – que são um casal – outros 4 funcionários da casa são LGBTs também. “A Casa Omolokun é uma casa que tem a diversidade em sua essência, começando pela religiosa e permeando por todas as outras formas de pluralidade”, comenta a chef e dona do local.

Leila Leão é a responsável pelo empreendimento e a chef da cozinha, que tem como especialidade releituras de ‘comidas de santo’, pratos que normalmente são para fazer reverência aos orixás – divindades das religiões de matriz africana. Leila, atualmente com 42 anos, tem 4 filhos, sendo dois deles gays. O mais velho deles, inclusive, mora na casa/restaurante com seu companheiro.

O restaurante, que também é a casa de Dona Leila – como é conhecida na localidade – surgiu de uma dos saraus descontraídos que seu ex-marido fazia com os amigos para interagir e ‘fazer um som’. Os encontros foram crescendo e aí veio a ideia de montar um restaurante que enaltecesse a culinária africana, uma vez que Leila já cozinhava essas especialidades dentro de sua religião.

O restaurante também trás um movimento de resgate e valorização à cultura africana. Através de mostras de artistas locais, com obras de artes expostas e à venda, música, artigos de moda e muito mais, a casa procura quebrar os tabus que existem sobre as religiões de matriz africana, oferecendo aos clientes uma imersão nessa herança cultural tão diversificada, deixada por quem esteve aqui bem entre nós.

O diferencial da Casa Omolokum não são só as 26 releituras pratos de ‘comida de dendê’ (como também são conhecidos os ‘pratos de santo’), mas também no cuidado que Dona Leila tem com o preparo dos pratos. A chef acorda às 4h (da manhã) para percorrer as feiras e mercados locais, verificando quais ingredientes estão frescos, para assim, então, decidir qual será o prato do dia, ou seja, cada dia um prato diferente está no menu (dentro das 26 opções que Dona Leila criou). Cada dia é uma surpresa pra os clientes, mas também uma certeza, de que degustarão de uma refeição única, com alimentos frescos e feita com muito axé.

Como se não fosse suficiente, todo segundo-domingo do mês a casa abre suas portas para o festival de acarajé, bolinho feito de massa de feijão-fradinho, cebola, sal e frito em azeite de dendê, é uma especialidade gastronômica de origem africana e afro-brasileira. Nesse festival são servidos mais de 10 sabores diferentes de acarajé.

O festival que acontece no próximo domingo (14/07) será em homenagem à Oyá (também conhecida como Iansã) e terá muito axé e samba da Banda Filhas de Maria. O acesso custa R$50,00 por pessoa e o couvert, que é obrigatório para incentivar a arte, tem o valor de R$10,00. Crianças até 12 anos não pagam. Atualmente a Casa Omolokum está abrindo somente aos domingos e fica localizada na Rua Argemiro Bulcão, 51, Saúde. Para reservas: (21) 97337-2331 / (21) 98069-7780.

Arquiteto, DJ, VJ, Produtor de Eventos e redator colaborador de conteúdos sobre diversidade LGBTI+ do portal Pheeno.com.br! #MandaAssunto