Concurso para professores em Mato Grosso do Sul polemiza com questão que coloca gays como “aberração”

Candidatos que realizaram o concurso público para professor de ciências/biologia para a rede pública de ensino de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, disseram que a seleção trouxe questões que expressam homofobia e que o vírus da Covid-19 foi criado em uma laboratório chinês. A prova, realizada no domingo passado (12/12), contou com 40 questões.

Na questão de número 35, o enunciado apresenta uma história em que dois gêmeos univitelinos, nascidos em família judaica, foram circuncidados, porém um dos meninos teve o “pênis parcialmente amputado. Após várias consultas a especialistas, a família decidiu terminar o processo de amputação, fazer uma cirurgia para construção de uma vagina, registrar a criança com nome feminino e educá-la como menina“. No fim da questão, diz-se que um dos filhos “tinha um comportamento sexual adequado para o seu fenótipo” e exibe como uma das alternativas a afirmação: “O comportamento homossexual é uma aberração que depende da marcação dos cromossomos sexuais”.

Na questão anterior, de número 34, o enunciado procura descobrir a resposta incorreta sobre a “técnica do DNA recombinante que é uma importante arma biológica para engenharia genética na produção de diferentes proteínas em laboratório”. As respostas apresentam conceitos biológicos relacionados a criação de proteínas em laboratórios, como técnicas de “inserção de gene da insulina no DNA“. No entanto, de forma majoritária, os candidatos que realizaram a prova acreditaram que a resposta exata seria a letra “B”, em que apresenta uma “teoria conspiratória” afirmando que “o laboratório chinês Bioengenharia localizado em Wuhan produziu o vírus da Covid-19”. Entretanto, ao verem o gabarito preliminar, os concurseiros se surpreenderam: a teoria que acharam “conspiratória” é apresentada como correta.

Em nota, a empresa MS Concursos esclareceu que tem uma equipe de revisão e segue com os trâmites de correção. A OAB/MS orienta que os participantes do certame que se sentiram ofendidos podem contar com a orientação da entidade pelo telefone (67) 3318-4700.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!