Primeiro atleta assumido a se classificar para uma Olimpíada, Ian Matos morre aos 32 anos após infecção pulmonar

Morreu nesta terça-feira (21/12) aos 32 anos, vítima de infecção pulmonar, o atleta olímpico dos saltos ornamentais Ian Matos. O saltador estava internado desde o início de novembro na Casa de Saúde São Bento, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Internado desde o dia 30 de outubro, ele chegou a apresentar evolução, mas piorou na noite de segunda-feira (20/12) e não conseguiu sobreviver. Inicialmente, o paraense teve uma infecção na garganta. Posteriormente, a bactéria se alojou no esôfago e, em seguida, no pulmão. Como Ian não tinha familiares no Rio, uma vaquinha on-line foi aberta para custear viagem de sua mãe e irmã do Pará para a capital fluminense, para que pudessem acompanhar a internação do atleta. O valor estipulado de R$ 10 mil foi batido e chegou a R$ 17 mil.

Ian Matos foi um dos primeiros atletas de alto rendimento do país a assumir que era gay. Ele revelou a homossexualidade em 2014, em uma entrevista ao jornal Correio Braziliense. Na época, ele disse que ganhou coragem após o saltador britânico Tom Daley também falar publicamente sobre a orientação sexual. Ian foi um dos poucos atletas brasileiros nas Olimpíadas de 2016 que se declarava homossexual. Em Tóquio, 45 atletas da delegação brasileira se declararam bissexuais ou homossexuais.

Natural de Muaná, interior do Pará, Ian despontou na modalidade ainda bem jovem quando se destacou no Campeonato Pan-Americano Junior de 2003 e no Campeonato Mundial Junior de 2004. O atleta garantiu classificação para os Jogos Sul-Americanos de 2010, nos quais ganhou três medalhas de bronze. Ian continuou sua trajetória de sucesso garantindo classificação para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011, Toronto 2015 e Lima 2019, além de integrar a seleção brasileira em Campeonatos Mundiais de Esportes Aquáticos (2015 e 2017), Copas do Mundo (2016), Campeonatos Sul-Americanos (2010 e 2014) e nos Jogos Olímpicos Rio 2016, ficando em oitavo lugar no trampolim de 3 metros. Nossos sentimentos a familiares e amigos, com certeza fará muita falta.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!