Professora recebe homenagem de alunos após ser vítima de transfobia em loja de moda evangélica no Ceará

Na última segunda-feira (06/06), a professora Jhosy Gadelha, que mora em Pacajus, no Ceará, compartilhou um vídeo em suas redes sociais relatando que sofreu transfobia em uma loja de moda evangélica do município.

Queria uma saia para baixo do joelho e fui em uma loja específica de roupas evangélicas femininas. Fui super bem atendida e uma moça separou duas saias e entrei no provador“, relata Jhosy em vídeo divulgar em suas redes sociais. Mas, ao sair do provador, a professora conta que começou a conversar com uma senhora, que mais tarde descobriu ser a proprietária da loja. “Ela disse que estava voltando da igreja e eu comentei que também era da igreja e sai quando comecei minha transição. Nesse momento ela começou a me tratar no masculino e dizia ‘meu filho, por que você fez isso?’. Eu até tentei me controlar mas estava me sentindo incomodada e ela continuava com os ataques e me falava ‘você sabe que pessoas como você não agradam a Deus e vão para o inferno’“.

A professora contou que falou com a mulher de maneira calma e educada, pois queria conscientizá-la. Contudo, segundo Jhosy, a proprietária não pediu desculpas e continuou atacando-a, se utilizando da religião para justificar as agressões. “Aí eu disse que não tinha porque continuar aquela conversa, já que estava sendo ofendida, e fui embora“, desabafa ela. Após o ocorrido a professora entrou em contato com a coordenação da escola e relatou toda a situação. Ela conta que recebeu todo o apoio da escola e mais do que isso, foi incentivada a não se calar. Jhosy também foi liberada das aulas na segunda (06/06) e terça-feira (07/06) e em seu retorno, na quarta, foi surpreendida com uma linda homenagem no corredor da escola.

Todos os alunos formavam um corredor, seguravam cartazes e batiam palmas para a professora enquanto ela percorria o trajeto. “Foi a coisa mais linda do mundo. Quando saí da sala vi aquela corrente de gente de mãos dadas. Era um corredor de amor e empatia e eu fiquei sem reação, me tremia toda. Eles me deram um abraço coletivo e o gesto se repetiu com as turmas da tarde e da noite“, comemorou Jhosy, que registrou um Boletim de Ocorrência e vem recebendo apoio de um centro LGBTQIAP+.

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Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!