Zack Snyder voltou ao centro de uma discussão que acompanha parte de sua trajetória em Hollywood. O cineasta estreou “The Last Photograph” no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, e viu o novo longa provocar uma forte reação entre críticos e espectadores. A produção, que levou quase duas décadas para sair do papel, acompanha um ex-agente da DEA que parte em busca dos sobrinhos desaparecidos depois que os pais deles, diplomatas, são assassinados em um país da América do Sul. Após a première, o filme recebeu uma série de avaliações negativas e passou a ser alvo de interpretações que associam sua abordagem a ideias fascistas.
Em entrevista à revista “Variety”, Snyder comentou a repercussão e questionou a velocidade com que algumas pessoas passaram a classificá-lo sem sequer terem assistido ao longa. Segundo o diretor, a discussão nas redes sociais ganhou proporções muito maiores do que o público que efetivamente viu a produção no festival. “Havia apenas 1.200 pessoas no cinema e existem milhares de comentários nas redes! Li um de um cara que pegou um trecho e disse: ‘Ainda não vi, mas tenho certeza de que foi horrível’. E olha: gostar ou não do filme — nem estou entrando nesse mérito —, mas, no meu caso, gera mais cliques dizer ‘Eu odeio o Zack Snyder! Ele é fascista!’ do que dizer ‘Vi o filme e foi legal’. Ninguém dá a mínima para isso. E, obviamente, eu não sou fascista”, se defendeu o cineasta.
O diretor aproveitou a entrevista para lembrar que já enfrentou questionamentos semelhantes durante a apresentação de “300” no Festival de Berlim. O longa, lançado em 2006 e baseado na HQ de Frank Miller, também provocou discussões sobre sua representação da guerra, da masculinidade e da violência. Ao falar sobre a produção, Snyder fez uma associação bastante particular com a leitura homoerótica frequentemente atribuída ao filme. “Não sou fascista. Eu fiz o filme mais gay já feito. ‘300’ é um dos filmes mais gays feitos na história. Sempre falo, existem poucos filmes em que as pessoas entram héteros e saem gays, e ‘300’ é um deles”, continuou. O cineasta disse que já ouviu diferentes rótulos sobre o longa e que parte das críticas mistura interpretações sobre o conteúdo do filme. “É ‘homoerótico’, ‘transfóbico’, ‘fascista’ e todas essas coisas”, declarou.
No caso de “The Last Photograph”, as críticas também apontaram questões relacionadas à violência e à representação de personagens femininas, enquanto o diretor rebateu dizendo que a brutalidade do filme atinge homens, mulheres e crianças de maneira indistinta. Já “300” acompanha o rei Leônidas, interpretado por Gerard Butler, e seus 300 guerreiros espartanos durante o confronto contra o exército persa liderado por Xerxes, vivido por Rodrigo Santoro. Lena Headey também integra o elenco do longa, que se tornou uma das obras mais conhecidas da carreira de Snyder.










