Um trecho da participação do ator Bernardo Dugin no programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil nesta quarta-feira (4), ganhou grande repercussão nas redes sociais. Durante a conversa no talk show, o artista refletiu sobre os pactos silenciosos que muitas pessoas LGBTQIA+ acabam fazendo ainda na infância para se adequar às expectativas sociais, abrindo um relato íntimo sobre as marcas psicológicas deixadas por esse processo.
Ao comentar sobre comportamentos considerados “aceitáveis” para meninos, Dugin destacou como esses mecanismos começam cedo. “Uma criança que tem um trejeito mais afeminado, por exemplo, ela é ensinada a falar mais grosso, ela é ensinada a não cruzar a perna, a não desmunhecar, a não brincar de boneca. Então, são pactos silenciosos que ela vai fazendo com ela mesma, dizendo assim: ‘meu Deus, o que eu gosto, o que eu amo?’ Eu, por exemplo, queria fazer aula de dança, mas eu nunca tive coragem de pedir isso para os meus pais. Então, eu fui me engessando para me tornar, entre aspas, hétero, que era o que era socialmente aceito, era o correto a se fazer”, afirmou.
“É como se eu não tivesse sido eu”, continuou Dugin. O ator ainda citou uma frase que viralizou nas redes sociais para aprofundar sua reflexão: “pessoas LGBTs não crescem sendo elas mesmas, elas crescem sacrificando e limitando suas espontaneidades por conta de medo ou humilhações”. Segundo ele, esse processo acaba roubando parte da juventude de muitas pessoas LGBTQIA+. “O nosso maior desafio na vida adulta é escolher quais partes de nós são o que somos de verdade e quais criamos para nos proteger do mundo. É porque a gente aprende a mentir antes mesmo de aprender a amar.”
A fala de Dugin dialoga diretamente com o tema do espetáculo “Hétero no Sigilo”, que estreia nesta quinta-feira (6) no Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro. Dirigida por João Fonseca, a peça foi idealizada e escrita pelo próprio ator e nasceu a partir de um ataque homofóbico sofrido por ele e seu namorado durante uma missa de sétimo dia em 2023, em Nova Friburgo. No palco, sozinho em cena, o artista mistura humor e dor para refletir justamente sobre heteronormatividade, violência simbólica e os pactos de silêncio que muitas pessoas LGBTQIA+ aprendem a fazer para sobreviver.
"A gente aprende a mentir antes mesmo de aprender a amar."
O ator Bernardo Dugin reflete sobre os impactos da homofobia para a comunidade LGBTQIA+.
Assista na íntegra ➡️ https://t.co/R9QoGuwN2C pic.twitter.com/nFXsQpg6pC
— TV Brasil (@TVBrasil) March 4, 2026










