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Tratamento “milagroso” do século XIX prometia curar até doenças mentais com “dilatador retal”

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O que hoje parece piada pronta já foi tratado como avanço médico revolucionário. No fim do século XIX e início do XX, os chamados dilatadores retais criados pelo médico Dr. Young ganharam popularidade ao prometer curas para uma lista quase infinita de problemas. Entre as condições que supostamente poderiam ser tratadas estavam constipação, acne, fadiga, anemia e até transtornos mentais. A proposta era baseada na ideia de que a estimulação da região anal poderia regular o funcionamento do corpo — uma teoria que, embora tenha algum fundamento muito específico na medicina, foi levada a extremos completamente sem comprovação científica.

Os dispositivos eram feitos de borracha rígida e tinham formato alongado, lembrando um pequeno torpedo. Vendidos em diferentes tamanhos, vinham acompanhados de manuais que orientavam o uso diário por pelo menos uma hora, podendo inclusive ser utilizados durante o sono para potencializar os efeitos. A publicidade da época apostava pesado em depoimentos de supostos pacientes curados, reforçando a imagem de um tratamento simples, acessível e altamente eficaz — praticamente uma solução milagrosa para males físicos e emocionais.

Por mais estranho que pareça hoje, os dilatadores fizeram sucesso por décadas e chegaram a ser amplamente comercializados. O contexto da época ajuda a explicar: o conhecimento médico ainda engatinhava em diversas áreas, e havia pouca regulamentação sobre o que podia ou não ser vendido como tratamento terapêutico. Além disso, o tabu em torno do corpo, especialmente da sexualidade, contribuía para que práticas pouco convencionais fossem vistas como inovadoras ou até mesmo “secretos médicos” pouco compreendidos pelo público geral.

A história começou a mudar apenas em 1940, quando a Food and Drug Administration decidiu intervir. O órgão apontou a falta de evidências científicas para as alegações e alertou sobre possíveis riscos à saúde associados ao uso do produto. Com a proibição, os dilatadores acabaram caindo no esquecimento, mas o episódio segue como um retrato curioso — e até irônico — de como desinformação, pseudociência e tabus sobre o corpo já caminharam juntos, transformando até objetos hoje associados ao prazer em supostas ferramentas de cura.