Home Destaque Marco no combate ao HIV: Brasil adquire tecnologia e produzirá principal antirretroviral...

Marco no combate ao HIV: Brasil adquire tecnologia e produzirá principal antirretroviral distribuído pelo SUS

8

O Brasil está prestes a alcançar um marco inédito na resposta à epidemia de HIV. Após anos de negociações, investimentos e transferência de conhecimento, o país concluiu o processo que permitirá produzir, em território nacional, o dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento de pessoas vivendo com HIV atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, o Brasil passa a depender menos de fornecedores internacionais e fortalece a capacidade do sistema público de garantir o fornecimento contínuo de um remédio essencial para centenas de milhares de pessoas que vivem com o vírus.

Considerado atualmente o antirretroviral de primeira escolha no país, o dolutegravir é utilizado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV e também integra alguns esquemas da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), estratégia de prevenção voltada para pessoas com maior vulnerabilidade à infecção. O medicamento ganhou protagonismo por combinar alta eficácia no controle da carga viral, baixo índice de efeitos colaterais e menor risco de resistência ao tratamento, características que fizeram dele a base da política nacional de enfrentamento ao HIV. Desde que foi incorporado ao SUS, o remédio contribuiu para que milhares de pessoas alcançassem carga viral indetectável — condição que preserva a saúde e impede a transmissão sexual do vírus.

A produção brasileira será realizada pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), após a conclusão da transferência de tecnologia firmada em 2020 com a farmacêutica ViiV Healthcare. Durante esse período, equipes brasileiras passaram por treinamentos, absorveram todas as etapas do processo produtivo e adaptaram a estrutura necessária para fabricar o medicamento integralmente no país. Agora, resta apenas a concessão do registro sanitário pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que os primeiros lotes nacionais possam ser distribuídos pelo SUS. A expectativa é que a fabricação local torne o abastecimento mais seguro e reduza os custos de aquisição nos próximos anos.

O avanço também simboliza a continuidade de uma política pública que colocou o Brasil entre as referências mundiais no combate ao HIV. Desde a década de 1990, o país garante acesso gratuito aos antirretrovirais, uma estratégia considerada fundamental para reduzir mortes, ampliar a expectativa de vida e controlar a epidemia. Em um momento em que o número de usuários da PrEP cresce e cada vez mais pessoas iniciam o tratamento logo após o diagnóstico, produzir o principal medicamento contra o HIV em solo brasileiro representa um passo estratégico para assegurar a sustentabilidade do SUS e oferecer mais segurança a quem depende diariamente dessa terapia para viver com qualidade e dignidade.