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Márcia Pantera denuncia racismo e critica presença de drag queen acusada em evento: “Hoje o racismo vai vencer no palco”

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A drag queen Márcia Pantera, um dos principais nomes da cena LGBTQIAPN+ brasileira, usou as redes sociais nesta sexta-feira (17) para denunciar ter sido vítima de racismo por parte de outra drag queen. Sem revelar a identidade da artista, Pantera publicou um vídeo em tom de desabafo horas antes da realização da segunda edição do evento Rainhas da Noite, promovido pela The Core SP, em São Paulo. Na legenda da publicação, ela criticou o fato de a pessoa acusada seguir escalada para subir ao palco naquela noite. “Hoje o racismo vai vencer no palco da The Core”, escreveu.

No vídeo, Márcia afirma que convive com o racismo há toda a vida e que o episódio citado é apenas mais um entre tantos que enfrentou. “A minha vida toda eu venho falando do racismo. Desde quando eu entendi o que era o racismo, é que eu venho gritando e falando sobre ele”, declarou. A artista também lamentou a reação de pessoas que minimizaram sua denúncia ao dizerem que a drag acusada nunca teve atitudes racistas com elas. “Sabe o que eu escutei de muitas pessoas? ‘Ai, amiga, mas ela não foi racista comigo’. A dor que a pessoa preta sente, só ela vai entender”, afirmou.

Ao longo do desabafo, Márcia também rebateu demonstrações de apoio que considera superficiais e criticou o espaço que, segundo ela, continua sendo dado a pessoas acusadas de racismo dentro da cena drag. “Estamos no mesmo mar, no mesmo barco não. E eu nem quero estar no mesmo barco que vocês”, disse. Em outro momento, questionou: “Conseguem trazer essa pessoa de novo para o nosso meio, pra fazer o quê? Pra ser ainda mais racista?”. Na legenda, reforçou o posicionamento ao escrever: “Triste deixarem uma drag racista pisar no palco”.

Encerrando o vídeo, Márcia refletiu sobre a dificuldade de transformar denúncias em mudanças concretas e demonstrou frustração com a recorrência desse tipo de situação. “Não é possível que a gente venha aqui trazer um comentário desse… mas é o que acontece na vida real. Bem-vindo. A vida real tá aí”, concluiu. Pouco depois da publicação, a The Core SP compartilhou um comunicado em seus Stories no Instagram, sem citar diretamente a denúncia ou a drag queen. Na mensagem, a casa afirmou que “diversidade, inclusão e equidade são construídas por meio de ações concretas” e destacou que 60% de sua equipe é formada por pessoas trans, pretas ou pardas. O texto também reforça o compromisso do espaço com a diversidade e afirma que as portas estão abertas para quem quiser conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela equipe.

Foto: Reprodução/Stories @thecore.sp no Instagram